Poupança deve seguir mais atrativa do que fundos
Desde maio, quando a taxa básica de juros caiu para 8,50% ao ano, a rentabilidade da poupança mudou e passou a ter como referência 70% da Selic. Dados do Banco Central (BC) mostram que, desde que os juros caíram para esse nível, os depósitos na caderneta renderam, em média, 0,4923% ao mês.
Os depósitos antigos tiveram rendimento de 0,5095% ao mês. Em uma aplicação de R$ 1 mil, a diferença seria de R$ 0,17 no mês. Com a redução de ontem, a rentabilidade da nova poupança deve cair para 0,4551% ao mês.
A poupança segue como boa opção porque não tem incidência de Imposto de Renda e cobrança de taxas de administração. Segundo especialistas, a aplicação deve bater os fundos com taxa de administração superior a 1%.
"A maior probabilidade é de que os fundos que cobrarem 1% ou mais de taxa de administração deverão empatar ou perder com a poupança", disse o matemático José Dutra Vieira Sobrinho.
A oitava queda seguida da taxa básica de juros indica que quem quiser ganhar dinheiro terá de estar disposto a correr mais risco.
As possibilidades apontadas pelos especialistas são os investimentos em títulos do Tesouro e em fundos multimercados.
"No mundo inteiro, o ganho com renda fixa é baixo. Na maioria dos países, a inflação e o ganho com renda fixa são praticamente iguais. O Brasil foi o único que pagou e ficou mal acostumado", afirmou Keyler Carvalho Rocha, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), entidade ligada à USP.
Assim como o cenário das aplicações deve seguir inalterado, a taxa média de juros praticada pelo mercado não vai ter muita alteração com a Selic menor.
Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa média praticada vai passar de 6,18% ao mês para 6,14%. "O efeito é pequeno, mas é importante ressaltar que as quedas são continuadas", disse Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac.
Portabilidade. O Senado aprovou ontem as mudanças na correção da caderneta de poupança. O texto segue agora para sanção da presidente Dilma Rousseff. Os senadores também incluíram no projeto, a pedido do governo, mudanças na portabilidade do crédito imobiliário.
O objetivo é facilitar que o consumidor transfira sua dívida de um banco para outro que ofereça juros mais baixos. Assim que a mudança for regulamentada pelo governo, o mutuário terá de fazer apenas averbação da transferência, o que é mais barato do que os trâmites atuais.
Fonte: O Estado de S. Paulo
