Pressionados, empresários contrários à redução da jornada atacam sindicalistas
Denúncia
No último dia 16, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgava comunicado repudiando publicamente a (PEC) 231, a Força Sindical protocolou na Procuradoria Geral do Trabalho (PGT), em Brasília, uma denúncia contra a CNI pelo uso de recursos do Sistema S (Senai e Sesi) em campanhas publicitárias contra a redução da jornada de trabalho.
De acordo com deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, a CNI tem usado o programa "Boletim da Indústria Brasileira", de um minuto por dia, em duas das maiores redes nacionais de rádio, para "falar contra a jornada de 40 horas por semana".
Em apoio à iniciativa da Força Sindical, Wagner Gomes, presidente da CTB, destacou que os empresários usarão todos os recursos para tentar barrar a aprovação da PEC, pois a busca insana pelo lucro está acima do bem estar do trabalhador brasileiro, já que a medida, além de abrir gerar mais emprego, irá oferecer ao trabalhador e trabalhadora brasileira melhor qualidade de vida. “A pressão está grande e eles estão sentindo isso. Por isso farão de tudo para tentar impedir essa conquista para classe trabalhadora. Eles estão utilizando esses recursos em uma campanha contrária à redução da jornada, tanto explícita como velada”, afirmou o presidente da CTB.
Em entrevista a diversos órgãos de imprensa, Armando Monteiro Neto, presidente da CNI, negou o “uso da máquina”. Segundo o dirigente, a CNI fica com apenas 1% dos recursos do Sistema S, a título de remuneração pelo gerenciamento desses recursos, uma atribuição que lhe é dada pela Constituição. Monteiro Neto, no entanto , não detalhou quanto do orçamento de R$ 160 milhões da CNI para este ano vem dessa remuneração.
Ofensiva
Em contra-ataque à mobilização das centrais os empresários da indústria alegam que, com a proximidade das eleições, o debate está "contaminado", e que os líderes sindicais buscam vantagens eleitorais ao defender a aprovação imediata da redução da jornada.
Para eles, a redução da jornada não é uma luta prioritária. “Achamos que essa bandeira é muito menos uma prioridade do trabalhador do que o interesse desses líderes de obter um bônus eleitoral”, reforçou Monteiro Neto.
A alegação dos representantes da CNI é de que a redução "obrigatória" da jornada é inoportuna e pode comprometer o processo de recuperação da atividade industrial e do nível do emprego no setor.
O presidente da CTB rebateu a alegação ao lembrar o excelente momento pelo qual o país passa.“Vamos intensificar a campanha pela redução. Não há momento mais oportuno do que este que estamos vivendo, de retomada do crescimento da economia. A adoção da medida vai criar mais de dois milhões novas vagas no mercado de trabalho, ajudando no crescimento da indústria”, ressaltou o presidente da CTB.
Cinthia Ribas – Portal CTB
