Primeira rodada de negociação sobre emprego e saúde não avança
Os representantes dos bancos
rejeitaram todas as reivindicações. Admitiram que setores do sistema
"estão fazendo ajustes", mas disseram que os bancários não estão
preocupados com o emprego e que a redução da média salarial via
rotatividade é uma coisa normal.
A rodada de negociação continua nesta quarta-feira (8), a partir das 9 horas, com a
discussão das reivindicações sobre saúde e condições de trabalho.
O diretor da Federação, Hermelino Neto, participou da reunião representando a base da Bahia e Sergipe. Hermelino denunciou a abertura de agências aos sábados e os criticou os horários diferenciados nos shoppings, uma atitude unilateral e radical por parte dos bancos, comprovando o descomprometimento com os empregados. Chamou a atenção também para a intransigência dos bancos ao longo das discussões. "A Fenaban começou mal, com a mesma arrogância de sempre. Repudiamos a postura e convocamos a categoria a aumentar as mobilizações".
Crédito: Jailton Garcia (Contraf)
Dados de emprego - Na abertura das negociações, foram apresentados os dados da 14ª Pesquisa do
Emprego Bancário feita pelo Dieese, que mostram que os bancos geraram apenas 2.350 novos empregos no
primeiro semestre de 2012, o que representa um recuo de 80,40% em
comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram criadas
11.978 vagas. Sem a Caixa, que abriu 3.492 postos de trabalho, o saldo
seria negativo em 1.209 empregos. A pesquisa reafirma também que os
bancos usam a rotatividade para reduzir a massa salarial e que
discriminam as mulheres, que entram e saem das empresas ganhando menos
que os homens.
Os representantes da Fenaban admitiram que alguns bancos "estão fazendo ajustes", mas negaram que haja rotatividade e fechamento de postos de trabalho. E disseram que o tema do emprego não faz parte do universo de preocupação dos bancários. Eles chegaram a refutar o dado do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, elaborado a partir de informações passadas pelas próprias empresas, de que os empregos gerados pelo sistema financeiro no primeiro semestre representam apenas 0,22% dos 1.047.914 de empregos gerados em todos os setores da economia. Segundo os negociadores da Fenaban, a maioria dessas novas vagas é apenas a formalização de empregos sem carteira.
Terceirização e correspondentes bancários - Os dirigentes sindicais questionaram os bancos sobre a troca dos bancários por correspondentes. Há bancos que se recusam a prestar atendimento, empurrando clientes para os correspondentes, e outros colocam o correspondente dentro das agências. A Fenaban defendeu a terceirização e disse que os correspondentes bancários estão atuando dentro do que permite a legislação.
O Comando Nacional também propôs na mesa de negociação a isenção de tarifas e juros menores para os bancários, que arcam muitas vezes com as taxas maiores de crédito consignado que os clientes. Muitos funcionários estão pagando até 13% ao mês no cartão de crédito. A Fenaban respondeu que isso faz parte da política interna de cada banco, que não há um padrão e, portanto, não deve fazer parte da negociação coletiva.
Os dirigentes sindicais reivindicaram ainda o abono-assiduidade, que é o direito a cinco folgas abonadas por ano como forma de compensar os dias trabalhados sem remuneração (o ano tem 365 dias, mas os trabalhadores só recebem por 360 dias). Embora vários bancos já concedam esse abono, a Fenaban se recusou a discutir a questão.
Jornada de 6 horas - O Comando Nacional defendeu a reivindicação dos bancários aprovada na 14ª Conferência Nacional de que os bancos devem respeitar a jornada de seis horas, instituída na década de 1930, quando havia muito adoecimento de bancários. A Fenaban se recusou a discutir o cumprimento da jornada de seis horas para todos os bancários.
Melhoria do atendimento - O Comando Nacional defendeu ainda o controle do tempo de espera nas filas e a ampliação do horário de atendimento, das 9h às 17h, com dois turnos de trabalho, o que é importante para atender melhor os clientes e gerar empregos. A Fenaban se recusou a incluir o horário de atendimento na convenção coletiva, assim como o controle das filas, por considerar que esse não é assunto trabalhista. Os representantes dos bancos disseram que o tempo de espera de 15 minutos pode aumentar a pressão sobre o bancário e que, portanto, o tempo de 30 minutos seria melhor. Pode?
Com informações da Contraf
