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Protecionismo bancário ameaça a globalização

Em meio ao clima de recriminação e agonia em torno das causas e consequências da crise financeira, banqueiros e formuladores de políticas públicas presentes no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça) identificaram uma nova ameaça à prosperidade mundial: o aumento do protecionismo financeiro.

 

As imensas operações de socorro aos bancos da Europa e dos Estados Unidos - embora necessárias para evitar um colapso na confiança no sistema financeiro - forçaram os bancos a recuar de mercados em países estrangeiros para se concentrarem seus limitados recursos em casa.

 

Para alguns observadores, se esse processo ficar sem controle irá aprofundar a crise global e reverter décadas de globalização. O Instituto Internacional de Finanças, uma associação de grandes bancos, previu esta semana que o fluxo de capital líquido para mercados emergentes cairá para US$ 165 bilhões em 2009 - menos que um quinto do valor de dois anos atrás.

 

Aparentemente, essa reversão acentuada do fluxo de recursos se deve, ao menos parte, à pressão política sobre os bancos para sacrificarem suas operações internacionais em favor de manterem as linhas de crédito para consumidores e empresas de seus países de origem. A pressão parece ter sido feita principalmente sobre as instituições bancárias que receberam enormes doses de apoio estatal.

 

Para os contribuintes que viram centenas de bilhões em impostos pagos por eles sendo transferidos para os bancos, essa suposta pressão sobre os bancos faria todo sentido. No entanto, alguns especialistas enxergam paralelos assustadores com as desvalorizações competitivas e o protecionismo da Grande Depressão. "O perigo é arruinarmos o sistema financeiro global da mesma forma que arruinamos o sistema de comércio globalizado nos anos 30", diz Simon Gleeson, sócio do escritório de advocacia Clifford Chance.


Nem todos os banqueiros estão tão pessimistas. Alguns dizem que a retirada de capital dos países emergentes é parte de uma tendência mais ampla na qual banqueiros e investidores abandonaram ativos de risco numa tentativa de minimizar suas perdas e reduzir sua dívida total. A crise financeira apenas expôs o quanto algumas instituições financeiras - especialmente aquelas radicadas em pequenos países como Bélgica e Áustria - alongaram demais suas estruturas na busca de oportunidades cada vez melhores. O fato é que a repatriação de capital tem sido doída para os países que dependiam fortemente dos fluxo de capital estrangeiro. E as vítimas não são só os mercados emergentes.


Uma das razões para a crise de crédito no Reino Unido ter sido tão dura é que os bancos da Irlanda, da Islândia e da Bélgica adotaram políticas agressivas de empréstimo durante o boom e de repente se retiraram do mercado.

Os temores em relação ao protecionismo alimentaram as previsões pessimistas em relação ao sistema financeiro. Uma pesquisa feita por Oliver Wyman mostrou que integrantes da cúpula de bancos globais temem que o processo de redução da dívida possa prosseguir ainda por alguns anos, estendendo a crise até 2011. Mostrou também que 75% dos CEOs do setor financeiro não acham que o crédito se recuperará até 2010.

  

Fonte: Valor Econômico

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