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Rodada de negociação sobre saúde tem avanço

Na rodada de negociação sobre saúde e condições de trabalho, nesta quarta-feira (15), entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, a novidade ficou por conta da aceitação pelos bancos do pagamento dos salários dos bancários afastados que aguardam perícia médica até que seja regularizada a situação junto ao INSS. Desde 2005, o movimento sindical vem recebendo inúmeras denúncias de casos em que o trabalhador recebe a alta programada do INSS, mas acaba sendo considerado inapto no exame de retorno ao trabalho realizado pelos bancos e fica sem benefício e sem salário.

Crédito: Jailton Garcia
Jailton Garcia - Contraf-CUT
Os negociadores da Fenaban reconheceram que há problemas e assumiram o compromisso de manter os salários dos afastados que aguardam perícia médica. Além disso, eles concordaram em trabalhar conjuntamente junto ao INSS para agilizar a realização das perícias e resolver os transtornos causados pela alta programada.

Pausa para caixas -
Também foi discutida a proposta dos bancários de garantir o intervalo de 10 minutos a cada 50 minutos trabalhados nos casos de serviços que exijam movimentos repetitivos, como os caixas e as funções que exijam cálculo, contagem de dinheiro e leitura digital de documentos, garantindo que não ocorra aumento da jornada trabalhada.

Os bancos não aceitaram a implantação da pausa reivindicada para os caixas. Eles alegaram que o intervalo só se justifica na digitação e call center, em razão da concentração e dos esforços repetitivos. No entanto, os bancos manifestaram disposição de fazer após a Campanha Nacional um análise técnica na Mesa Temática de Saúde do Trabalhador sobre as funções que são mais afetadas pela LER/Dort e buscar soluções. O diretor da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Hermelino Neto, presente à negociação, defendeu a importância da questão: "É preciso prevenir, porque quem hoje está na chefia ou na gerência já foi caixa um dia. A política deve ser de prevenção", avaliou.

Manutenção da função comissionada -
O Comando Nacional defendeu a permanência da remuneração dos afastados após o retorno ao trabalho, de modo que não tenham redução salarial nem perda de função comissionada. Afinal, o bancário ficou afastado não por vontade própria mas porque foi acometido de doença do trabalho. Os bancos, porém, não aceitaram a reivindicação, alegando que se o funcionário mudou de função não pode continuar comissionado.

Os dirigentes sindicais reivindicaram também que o bancário tenha o direito de fazer consulta médica durante o horário de trabalho, quando for preciso. Os bancos se negaram a garantir isso na convenção coletiva.

Eleições dos representantes das Cipas -
Os bancários defenderam ainda que as Cipas (Comissão Interna de Prevenção de Acidente) sejam constituídas por eleições diretas de todos os seus membros. Mas a Fenaban defende o atual modelo em que metade é indicada pelos bancos e recusaram qualquer mudança. Os representantes do Comando Nacional denunciaram a ingerência dos bancos na escolha dos representantes dos trabalhadores.

Reunião suspensa - A reunião foi suspensa às 13h por solicitação do Comando Nacional dos Bancários, após a notícia do falecimento do ex-dirigente sindical Manoel Castaño Blanco, conhecido como Manolo, vítima de acidente vascular, marido da assessora jurídica da Contraf, Dra. Deborah Regina Rocco Castaño Blanco, que participava da mesa de negociação. As negociações serão retomadas na próxima terça-feira, dia 21, às 10h, em São Paulo. Estarão em pauta segurança bancária, igualdade de oportunidades e remuneração.


Com informações da Contraf
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