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Rotatividade nos bancos reduz salários entre admitidos e desligados em 38,39%

Além de provocar milhares de demissões, a política de rotatividade dos bancos privados é nociva para a renda dos bancários. A diferença entre a média dos salários de admitidos e desligados foi -38,39% no primeiro semestre deste ano, conforme a Pesquisa do Emprego Bancário, elaborada pelo Dieese, com base nos dados do Caged do Ministério do Trabalho e Emprego. A remuneração média dos desligados foi de R$ 4.054,14, enquanto que a dos admitidos ficou em R$ 2.497,79.

O índice de -38,39% é muito superior à média da economia nacional, que foi de -6,06%l no primeiro semestre. Conforme a pesquisa, os bancos criaram 11.978 empregos no primeiro semestre de 2011. Eles fizeram 30.537 admissões e 18.559 desligamentos.

Diferença de salário entre admitidos e desligados

 

Brasil - Janeiro a Junho de 2011

 

Bancários

Admitidos

Desligados

Diferença da Rem. Média (%)

 

Rem. Média
(em R$)

Rem. Média
(em R$)

 

Total

2.497,79

4.054,14

-38,39%

 

Fonte: MTE/CAGED

 

Elaboração: DIEESE - REDE BANCÁRIOS

 



Diferença de salário entre admitidos e desligados

Brasil - Janeiro a Junho de 2011

 

Setor de Atividade Econômica, segundo IBGE

Admitidos

Desligados

Diferença da Rem. Média (%)

 

Rem. Média
(em R$)

Rem. Média
(em R$)

 

 Extrativa mineral

1.588,86

1.485,30

6,97%

 

 Indústria de transformação

929,50

1.012,10

-8,16%

 

 Serviços indústria de utilidade pública

1.056,73

1.292,64

-18,25%

 

 Construção civil

972,12

1.021,13

-4,80%

 

 Comercio

787,53

841,01

-6,36%

 

 Serviços

945,71

994,06

-4,86%

 

 Administração pública

1.128,37

1.271,69

-11,27%

 

 Agropecuária, extr. vegetal, caça e pesca

677,52

731,82

-7,42%

 

Total

895,47

953,20

-6,06%

 

Fonte: M.T.E/CAGED

 

 

 

 

Elaboração: Subseção DIEESE - CONTRAF/CUT

 

 



O fim da rotatividade é uma das principais reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários, como forma de travar as demissões e melhorar a renda e a qualidade do emprego nos bancos.

Entre 2004 e 2010, os bancários conquistaram 12,25% de aumento real no salário, mas a remuneração média, incluindo PLR e benefícios, cresceu apenas 3,66% no mesmo período.

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Clique aqui para acessar o gráfico sobre a rotatividade

Limitando a rotatividade


Existem categorias que, com o objetivo de combater a precarização do emprego promovido pela rotatividade, já fecharam acordos coletivos com cláusulas que limitam o número de funcionários desligados.


Os trabalhadores da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), por exemplo, conseguiram a garantia no emprego a 98% de seu efetivo de pessoal. Para tal controle, a empresa tem o compromisso de fornecer mensalmente a relação de empregados demitidos.


Os eletricitários da CPFL asseguraram o índice de 2,5% para a rotatividade anual, sendo que todos os casos de rescisão de contrato de trabalho serão mensalmente informados ao sindicato que representa a categoria.


Já os eletricitários da Celesc e da CEB obtiveram nos seus respectivos acordos coletivos a inclusão de cláusulas contra as demissões imotivadas, como prevê a Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil ainda não é signatário. O fim das demissões imotivadas também está na pauta de reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários.


O Brasil assumiu, em 2003, junto à OIT o compromisso pela promoção do Trabalho Decente, termo instituído em 1999. O país lançou, em 2010, o Plano Nacional para colocar em prática tal objetivo.
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