Santander é multado por financiar cultivo indevido no Mato Grosso
O Santander foi multado em R$ 47,5 milhões pelo Ibama por financiar o plantio de grãos em áreas da Amazônia que já estavam embargadas pelo órgão de fiscalização, por serem áreas de proteção ambiental.
Em operação feita em parceria com o Ministério Público Federal de Mato Grosso, a fiscalização constatou que recursos do banco financiaram a plantação de milhares de toneladas de milho e soja em áreas já bloqueadas por causa de plantações irregulares anteriores. Em vez de serem revitalizadas, essas terras continuaram a ser exploradas.
Além do Santander, as multas da atingiram algumas “tradings” de pequeno porte e outras empresas que atuam na cadeia produtiva. O total das infrações, que começaram a ser aplicadas ontem, deve chegar a cerca de R$ 170 milhões.
De acordo com o coordenador-geral de fiscalização do Ibama, Jair Schimitt, essa nova estratégia de fiscalização já é adotada em outros países para controle ambiental. "O que a gente espera é que eles adotem procedimentos mais rigorosos e não financiem ou não comprem produtos de quem desmatou ilegalmente. Se você é um produtor, utilizou meios ilegais e depois não tem para quem vender o seu produto, vai se desmotivar a desmatar ilegalmente de novo, porque você não vai ter para quem comercializar. A expectativa nossa é reduzir o desmatamento a partir do autocontrole na cadeia econômica", disse.
A ação começou no Mato Grosso, mas outras operações serão realizadas nos demais estados da Amazônia. Por meio de nota, o Santander informou que não foi notificado dessa autuação e, portanto, ainda não pode se manifestar quanto ao mérito da matéria. O banco afirmou ainda que cumpre rigorosamente a legislação vigente e adota as melhores práticas do mercado no que diz respeito às políticas socioambientais.
