Sem negociação, greve dos professores estaduais da Bahia continua
Em assembleia realizada na manhã desta quarta-feira (2/5), no saguão
da Assembleia Legislativa, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), os
trabalhadores estaduais da educação decidiram manter a greve iniciada em
11 de abril. Os professores continuam reivindicando a retomada da
negociação e farão uma nova assembléia na próxima segunda-feira (7) para
definir os rumos do movimento.
“Foi uma assembleia bastante
participativa, onde definimos também permanecer acampados na Assembléia
Legislativa. Nós faremos ainda uma feira amanhã na praça da Piedade,
onde estaremos vendendo produtos e alimentos, porque o salário dos
professores foi cortado. Tem professor que está sem salário. Então, nós
faremos a feira da sobrevivência ”, informou a vice-coordenadora da APLB
Sindicato, Marilene Betros.Os professores decidiram ministrar aulas públicas diariamente na própria Assembleia. “Continuamos perseguindo a negociação, cobrando do governo que reabra o diálogo para que o impasse seja solucionado”, ressaltou Marilene.
Junto a essas decisões, foi explicado na assembléia que a CNTE e a APLB-Sindicato continuam tentando marcar uma audiência com o ministro da Educação, Aloísio Mercadante, em Brasília, e que o sindicato está na Justiça com ações contra a ilegalidade da greve e o corte de salários.
A greve
Em um vídeo no site da entidade, a APLB explica que em novembro foi realizada uma assembleia, onde ficou decidido que o governo deveria dá o mesmo reajuste ao piso, caso isso não ocorresse, os professores entrariam em greve imediatamente. “Sentamos com o governo Wagner, que através dos representantes das secretarias de Educação e Administração, assinou com a APLB um acordo que dizia que o reajuste os professores da rede estadual seria o mesmo concedido ao piso nacional pela presidente Dilma. No final de janeiro, a presidente definiu que o reajuste ao piso seria de 22,22%. O governo não quis discutir esta parte e o acordo começou a ser descumprido”, explica o coordenador da APLB, Rui Oliveira.
“Por conta do descumprimento não houve outra alternativa se não a convocação da assembléia no dia 11 de abril, que decidiu quase por unanimidade pela greve. Ao invés do diálogo, o governo pediu a ilegalidade da greve, mas nós contestamos a decisão na Justiça. Tentou-se também negar a legitimidade do acordo, mas depois que provamos a legalidade, o governo começou a dizer que existia o acordo, mas não tinha dinheiro para atender as reivindicações ", declarou Oliveira
De Salvador,
Eliane Costa.
