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Sergipe: 'Comunicação e Movimentos Sociais: a cidadania em debate'

 

"Cidadania e democratização". Essas foram palavras norteadoras das duas plenárias realizadas pela Comissão Sergipana Pró-Conferência de Comunicação Social, na última quinta-feira, 7. Sendo a primeira, às 14h, no auditório da Fapese (Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão da UFS), e a segunda, às 19h, no auditório da Universidade Tiradentes (Unit). Os eventos, que tinham como tema 'Comunicação e Movimentos Sociais: a cidadania em debate', contaram com a mediação do jornalista Paulo Miranda, diretor da TV Comunitária de Brasília e membro da Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM) e da coordenação da Comissão Nacional Pró-Conferência. Ele foi recebido e apresentado pelos jornalistas  Cristian Góes e George Washington, presidente do Sindijor (Sindicado dos Jornalistas do Estado de Sergipe). 

Ambos os momentos tinham o objetivo de discutir como Sergipe deve se preparar para a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que será realizada em dezembro deste ano, em Brasília. Na oportunidade, estavam presentes aproximadamente 50 entidades representando movimentos sociais, sindicatos e populares do Estado, todos com o objetivo de entender melhor o processo de discussão para a realização da Confecom.

"A comunicação é um problema de todos e é muito instigante saber que Sergipe está tão mobilizado para a Conferência". Foi com essa afirmação que o jornalista Paulo Miranda abriu o debate sobre a problemática da democratização no Brasil e a importância da participação popular nesta questão. Segundo ele, a mobilização da sociedade e dos movimentos sociais é fundamental para que a Conferência torne-se um agente democrático. Esse processo de discussão será basilar para o enfrentamento que acontecerá em Brasília no final do ano.

Dentre as entidades participantes podemos destacar a participação do Observatório de Economia e Comunicação (OBSCOM) da Universidade Federal de Sergipe (UFS), da Associação de Pescadores do município de São Cristovão, do Movimento Negro, da Saúde, da Educação, Centrais Sindicais, professores, estudantes, músicos, jornalistas, radialistas, militantes dos Direitos Humanos, da criança e do adolescente, psicólogos, militares, homossexuais, religiosos afro, católicos e protestantes, representantes do Governo do Estado, entre outros.

Paulo Miranda lembrou que a Confecom é conquista histórica dos movimentos populares, organizações dos trabalhadores e entidades da sociedade civil que há décadas batalham pela democratização da comunicação no Brasil.

"O momento agora é de pensar na dialética que será lançada em Brasília, agora a sociedade brasileira terá, finalmente, a chance de ventilar de forma ampliada e democrática suas posições frente ao mercado de comunicação no Brasil, um esfera que marcada pelo interesse particular de pessoas privadas que determinam quem tem direito à voz no país", enfatiza.

O II Fórum Nacional de Tv's Públicas também foi pauta no debate. Miranda informou que o Fórum, com realização prevista para o final do mês de maio, pretende focar suas discussões em favor da Confecom. Ele salienta que a segunda edição do Fórum apresentará eixos temáticos contemplando os temas: Regulamentação, especialmente as discussões em torno do Art. 223; financiamento; TV digital, n que se refere a sua infraestrutura e migração dos canais a cabo para a nova tecnologia; programação de TV pública, sobretudo nos itens medição da audiência e novos modelos de produção.

No segundo momento da discussão, que foi realizado no auditório da Unit, houve uma grande mobilização de professores e alunos, especialmente do Departamento de Comunicação Social. Todos reunidos com um olhar crítico no cenário de comunicação em Sergipe, sobretudo em sua organização estrutural e política. Paulo Miranda mediou um debate acalorado que retratava os vários questionamentos que povoam a esfera acadêmica em torno do tema. Na oportunidade os membros da Comissão Sergipana Pró-Conferência de Comunicação Social fizeram a convocação para que os estudantes e professores participem ativamente das atividades de mobilização da Confecom.


A Conferência Estadual
Para a presidente do Sindicato dos Profissionais de Ensino do Município de Aracaju (Sindipema), Maria Elba da Silva Rosa, a realização da Conferência Estadual em Sergipe é um salto nas discussões sobre a problemática da comunicação no Estado. "Fico feliz em saber que Sergipe não perdeu o trem e vai participar do processo decisório em Brasília, pois é fato que a Comunicação é um fator determinante nas relações sociais e econômicas tanto no Brasil como em Sergipe", destaca a sindicalista.

José Souza, presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (Seeb/SE), concorda e acrescenta que é fundamental que a sociedade sergipana se mobilize neste processo. Segundo ele, "é o momento de se avaliar quem produz a mídia sergipana, como Sergipe pode reclamar uma comunicação participativa e plural que atenda a todo Estado de forma mais igualitária".

"O estudante do 7° período de Jornalismo da UFS Rafael Gomes acredita que o evento possa agir como ponte para que os diferentes movimentos sociais sejam capazes de conhecer os elementos que envolvem a comunicação. "Trazer os movimentos sociais para reuniões como esta é importante para desmistificar o que se pensa sobre a grande mídia e mostrar que ela (a mídia) é um produto destinado a todos nós, enquanto sociedade", ressalta.
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