Servidores fazem dia de protesto em Salvador
Cerca de 200 representantes de diversos sindicatos se uniram nesta terça-feira (25) em defesa do serviço público na Bahia. Com faixas, apitos, pernas-de-pau, fanfarras e banda de percussão, os servidores públicos fizeram um ato em frente ao Iguatemi, antecipando a comemoração do dia deles, que é celebrado nesta sexta (28).
Professores municipais e estaduais, médicos, agentes penitenciários, policiais civis, trabalhadores do Judiciário Federal, das Universidades do Estadais da Bahia (Uneb) e de Feira de Santana (Uefs) e servidores da Sefaz (Secretaria da Fazenda) participaram do protesto.
Eles repartiram um bolo de 10 metros de comprimento feito com 25 bolos menores de 40 cm. O doce foi decorado com a mensagem: "R$13 bi cresceu tem que dividir", em referência a estimativa de arrecadação de tributos no estado este ano, que os funcionários públicos defendem que seja utilizado para melhorar as condições de trabalho deles.
Segundo Adilson Araújo, presidente da CTB, existem pautas específicas de cada categoria, mas as reivindicações gerais são a valorização do servidor público, a divisão da arrecadação com os funcionários e melhorias das condições de trabalho, além do pagamento da URV, medida de correção monetária usada na década de 90.
Por conta da manifestação, professores estaduais e municipais,
policiais civis e médicos estão de braços cruzados nesta terça,
suspendendo as aulas e atendimentos nas delegacias e ambulatórios.
Educação -
Com pautas específicas, os docentes não suspendem a paralisação nesta
terça. Amanhã também não terá aula na rede municipal e estadual por
conta da Marcha Nacional em Defesa da Educação, que acontece em
Brasília. De acordo com o presidente da APLB-Bahia, sindicato da
categoria, Rui Oliveira, cerca de 600 professores seguem hoje para
capital federal para participar do movimento, que pede que 10% do PIB
(Produto Interno Bruto) seja repassado para a educação.
Em
Salvador, os docentes municipais também vão se reunir nesta quarta para
reivindicar a implantação do plano de saúde para a categoria. Eles
pretendem sair em caminhada da Praça Municipal até os Barris. As aulas
serão normalizadas a partir de quinta (27).
Segurança -
Nesta terça apenas 30% do efetivo de 4.500 policiais civis, escrivães e
delegados estão trabalhando. Eles realizam apenas os serviços
emergenciais, como flagrante e levantamento cadavérico. De acordo com
Bernardino Gayoso, secretário do sindicato da categoria (Sindpoc), a
população pode registrar ocorrências pela internet na Delegacia Digital (https://www.delegaciadigital.ssp.ba.gov.br/main/) e no plantão na sede da Polícia Civil, na Piedade.
Além
da pauta geral dos servidores públicos, os policiais civis também pedem
mudança nos plantões de trabalho, pagamento da HPJ5, que é uma
gratificação de atividade de polícia judiciária, além de exigência de
nível superior para concurso público.
Justiça -
Os trabalhadores do Judiciário Federal, que estão em greve há mais de
120 dias, também participaram do ato no Iguatemi. Apesar de não ter uma
sinalização de acordo com o governo Dilma, eles comemoram a aproximação
com os parlamentares da posição. "Há uma mudança no discurso deles, que
admitem a possibilidade de conceder nossos benefícios apesar da
orientação do governo seja contrária", disse Alberto Rajy, liderança da
categoria.
De acordo com ele, nesta quarta será votado o projeto
que prevê o Plano de Cargos e Salários (PCS) da categoria na Comissão de
Finanças e Tributação – CFT da Câmara de Deputados. Eles também
conseguiram que os deputados da comissão fizessem um relatório
rejeitando o projeto que congela o investimento no serviço público por
10 anos.
Saúde - Além do movimento dos
servidores públicos, os médicos também cruzaram os braços por conta da
Manifestação Nacional de Defesa do SUS, que teve a adesão de 22 estados.
Na Bahia, os profissionais suspederam o atendimento nos ambulatórios e
cirurgias eletivas da rede pública. "A paralisação nacional é por conta
da precarização do SUS. Estamos chamando a população para discutir a
situação do SUS, que sofre com falta de gestão, verba e corrupção",
explica o vice-presidente do Sindicato dos Médicos (Sindmed), Francisco
Magalhães.
Por conta da paralisação, apenas as emergências continuam atendendo nesta terça. Na quarta, o trabalho é normalizado.
