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Sindicato mundial denuncia truculência da Fenaban

Cresce a repercussão internacional das práticas antissindicais, da violência e truculência usadas pelos bancos contra os trabalhadores na campanha deste ano. Após receber o apoio de sindicatos de outros setores e que representam trabalhadores de outros países, agora foi a vez da UNI Global Union, sindicato mundial que representa 900 entidades e cerca de 20 milhões de trabalhadores em todo o mundo ao qual a Contraf-CUT é filiada.

O secretário-geral da entidade, o galês Philip J. Jennings, enviou na terça-feira 7 cartas ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e ao presidente da Fenaban e também presidente do Santander, Fabio Barbosa, repudiando a postura dos banqueiros e da Polícia Militar durante a greve deste ano. Emílio Botín, presidente mundial do Santander, recebeu cópia das duas mensagens.

Na carta a Lupi, Jennings lembra que a UNI representa 3 milhões de bancários em todo o mundo, ressalta que o direito legítimo de greve “está sendo negado” aos bancários brasileiros e afirma que o uso dos interditos proibitórios e a intervenção da “força policial é uma reação bruta e uma distorção dos instrumentos legais”. Ele destaca também que “o confrontamento adotado pela Fenaban é anti-democrático e antissindical”, ferindo a Convenção 98 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O secretário-geral da entidade mundial afirma que a UNI tem conhecimento da reunião secreta que aconteceu entre a Fenaban e o comando da Polícia Militar paulista antes mesmo da greve ser declarada, quando os bancos solicitaram apoio da PM contra o movimento bancário. A carta destaca também a prisão da sindicalista Maria Rosani, funcionária do Santander.

“Como ministro do Trabalho do Brasil, pedimos para que intervenha e interrompa esse desacato mostrado pela Fenaban com os bancários”, pedindo “solução imediata”, para algo que está deixando a federação internacional “profundamente preocupada”.

A carta endereçada a Fabio Barbosa segue a mesma linha e exige que o presidente da federação dos bancos “recue imediatamente desta postura de desacato aos bancários e permita a expressão democrática dos trabalhadores do setor financeiro sem que precisem temer por sua segurança”. A mensagem é encerrada clamando pelo diálogo “para que a solução seja encontrada imediatamente”.

“A reação internacional está sendo proporcional ao grau de violência e pouca disposição para o diálogo demonstrados pela Fenaban e por seu presidente, que não por acaso dirige o banco que mais tem dado vexame na campanha deste ano”, diz a dirigente sindical e funcionaria do Santander Rita Berlofa. “Se os banqueiros brasileiros acharam que somente os bancários sofreriam com a postura de confrontamento que escolheram adotar este ano, estão vendo agora que não é bem assim. A repercussão internacional está aumentando e o mundo está começando a saber como agem na realidade os responsáveis pela direção dos bancos brasileiros por trás de suas belas propagandas sobre responsabilidade social”, diz.

Danilo Pretti Di Giorgi
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