Taxa de desemprego atinge 15%, afirma Dieese
São Paulo puxou a taxa de desemprego do país em julho, após o recuo de maio para junho, aponta pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em parceria com a Fundação Seade, divulgada nesta quarta-feira.
A taxa nacional de desemprego atingiu 15% no mês passado, após um recuo de maio (15,3%) para junho (14,8%). Apenas a região metropolitana de São Paulo, entre as seis pesquisadas, teve aumento no índice, passando de 14,2% para 14,8%. O local teve o aumento mais intenso para um mês de julho, considerando toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 1985.
O contingente de desempregados nas seis regiões analisadas (Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo) foi estimado em 3,029 milhões de pessoas no mês passado, 45 mil a mais do que em junho. Esse número é resultante da eliminação de 9.000 vagas e da entrada de 37 mil pessoas na força de trabalho. Somente em São Paulo, o contingente de desempregados chegou a 1,562 milhão de pessoas, 67 mil a mais do que em junho.
O nível de ocupação, na média nacional, ficou praticamente inalterado (-0,1%), depois de três meses seguidos de crescimento. O total de ocupados nos seis locais pesquisados foi estimado em 17,162 milhões de pessoas, para uma PEA (População Economicamente Ativa) de 20,191 milhões.
Essa quantidade de pessoas não tem registrado alteração significativa e cresceu apenas 0,2% ante junho e 0,8% no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Para Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese, isso acontece porque, com a dificuldade em conseguir emprego devido ao momento econômico, os trabalhadores se sentem desmotivados a disputar um vaga no mercado. "No segundo semestre, a expectativa é de retomada, com lenta redução na taxa de desemprego", diz.
Em Belo Horizonte e Porto Alegre, as taxas ficaram inalteradas, em 11% e 12%, respectivamente. No Distrito Federal, passou de 16,4% para 15,9%. Em Recife, caiu de 19,4% para 18,9%; e em Salvador, de 21,3% para 20,9%.
Setores
Na divisão por setores de atividade, o nível de ocupação diminuiu apenas em serviços, que registrou 77 mil vagas a menos, e cresceu nos demais: comércio (32 mil), indústria (13 mil), construção (11 mil) e outros setores (12 mil). A indústria reagiu, com elevação de 0,5%, após setes meses consecutivos de redução.
Considerando apenas a região metropolitana de São Paulo, o setor ficou estável no confronto com junho. "O fato de ter deixado de demitir já é um dado a se comemorar", analisa o técnico da Fundação Seade, Alexandre Loloian.
Na comparação anual, no entanto, a indústria apresenta redução de 7,8% no número de ocupados-- o que corresponde a 133 mil pessoas a menos. O aumento na taxa local, assim como no país, foi puxada por serviços (-67 mil).
Em junho, o rendimento médio real dos ocupados no país ficou estável (ligeira alta de 0,1%), equivalendo a R$ 1.202. Já o dos assalariados subiu 0,5%, para R$ 1.285.
