Taxa de desemprego só volta a nível de pré-recessão em 2022
Se a economia brasileira não encontrar métodos para sair da recessão, o desemprego deverá levar cerca de cinco anos para voltar ao nível pré-crise (6,5%, em 2014). Além disso, a taxa natural de desemprego (a que não acelera a inflação) subirá dois pontos percentuais, para perto de 10%.
Segundo a Pnad contínua, medida pelo IBGE, no segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego brasileira ficou em 13% (de cada 100 brasileiros interessados em trabalhar, 13 não conseguiram se ocupar).
O estudo obre o impacto da crise no mercado de trabalho foi feito com 123 episódios recessivos de 1961 a 2017 e publicado nesta terça-feira (22/8) pelo banco Credit Suisse.
Os 34 trimestres necessários para que a taxa de desemprego voltasse aos níveis de 2014 têm por hipótese um crescimento da economia de 2% a partir de 2018. Em um cenário otimista, de 4% ao ano, o recuo da taxa brasileira de desemprego levaria 26 trimestres, se a economia brasileira seguisse o padrão dos episódios estudados pelo banco.
Quando se avaliam, porém, os países cuja profundidade da recessão foi semelhante à do Brasil —em que a economia já encolheu sete pontos percentuais desde 2014—, os prazos crescem. Nesses casos, a mediana da recuperação do PIB foi de 15 trimestres e a da taxa de desemprego, de 17 trimestres.
"São patamares mínimos", diz o economista Leonardo Fonseca, da equipe do Credit Suisse, porque nesses 50 países o crescimento foi forte o suficiente para permitir a queda da taxa de desemprego. No caso do Brasil, a estimativa é que o PIB precise crescer acima de 1,7% ao ano para que a taxa de desemprego comece a recuar.
