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TCU encontra ilegalidades na Caixa

O Tribunal de Contas da União (TCU) exigiu que a Caixa suspendesse a venda de carteiras de “créditos podres” – dívidas consideradas de difícil recuperação – por encontrar indícios de ilegalidade nas operações efetuadas nos últimos dois anos, quando o banco estatal passou a adotar a prática para limpar o balanço.

De acordo com o TCU, na decisão cautelar que suspendeu esse tipo de negócio, o banco não exigiu os parâmetros estabelecidos pelas resoluções do próprio conselho diretor da Caixa e vendeu carteiras que não eram passíveis de cessão, incluindo créditos “de melhor qualidade”, o que resultou em prejuízos.

Segundo o órgão de fiscalização, as operações suspeitas de irregularidade resultaram em receitas de R$ 260 milhões, o que corresponde a quase metade (48%) do valor que o banco arrecadou com as operações (R$ 542 milhões).

Entre 2014 e o primeiro trimestre de 2016, a Caixa vendeu um volume recorde de créditos considerados de baixa qualidade, que somam R$ 24 bilhões. Por essas transações, recebeu R$ 2,1 bilhões – desconto de 91%.

A fiscalização do TCU na Caixa começou no início de maio e está em curso até hoje. Para os técnicos do tribunal, a venda de R$ 24 bilhões nesses últimos anos ultrapassa o volume de cessões dos bancos concorrentes com tradição nesse tipo de operação. Segundo o parecer, a venda de carteiras deve ser considerada como estratégia acessória e secundária para uma instituição financeira.

No primeiro trimestre de 2016, a Caixa vendeu quase o triplo da soma das operações do mesmo tipo feitas pelos três principais concorrentes – Banco do Brasil vendeu R$ 3 bilhões, Itaú Unibanco, R$ 2,2 bilhões, e Bradesco, que não efetuou esse tipo de negócio no período.

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