Trabalhador de setores mais afetados pela crise terá seguro-desemprego maior
O seguro-desemprego será ampliado em mais dois meses para os trabalhadores demitidos dos setores mais afetados pela crise econômica. A medida foi aprovada nesta quarta-feira pelo Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador).
Hoje, o benefício varia de três a cinco meses, dependendo do tempo em que o trabalhador ficou no emprego --o seguro varia de R$ 465 a R$ 870, sendo o valor médio pago de R$ 595,20.
Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a medida ficará restrita apenas aos setores que estão sofrendo mais com a crise. Ainda não estão definidos quais serão essas áreas. Entre elas, devem estar siderurgia, aço e mineração, que dependem mais das exportações.
A decisão sairá ainda este mês, após análise dos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de novembro a janeiro. Para outros setores, será considerada a média trimestral a partir de dezembro. Os números do último mês ainda não foram divulgados.
Medida provisória
Hoje, a lei já permite a ampliação do seguro-desemprego para até sete meses, desde que a medida seja aprovada pelo Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador).
Segundo Lupi, se a situação piorar, o governo pode editar uma medida provisória para ampliar o seguro desemprego para até dez meses.
"Se a gente percebe um agravamento maior, e eu não acredito nisso, a gente pode fazer uma medida provisória para ampliar para até dez meses."
Outros setores muito afetados já apresentam recuperação e não devem ser beneficiados nesse momento, segundo o ministro. Lupi citou como exemplo agricultura, serviços, montadoras e construção civil.
O cálculo para escolha do setor vai comparar os dados para os mesmos meses desde 2003.
Caged
Lupi afirmou que os números do Caged de janeiro ainda vão mostrar queda no emprego com carteira assinada. Os dados, no entanto, não serão tão ruins como os divulgados em dezembro, quando se fechou o número recorde de 650 mil vagas.
"O impacto da diminuição de empregos será bem menor. Alguns estados já estão com dados positivos. Não há possibilidade de se chegar, nem de longe, perto do número de dezembro", afirmou Lupi.
O ministro disse também que já há recuperação em alguns estados (RS, PR SC, MS, MT e GO), principalmente nas áreas da agricultura, construção civil e serviços. "Esses seis já estão tendo resultados positivos."
Folha Online
