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Tratamento para negros e brancos no sistema de saúde

Levantamentos da organização não-governamental (ONG) Criola, feitos com base em dados do Ministério da Saúde, revelam que negros e brancos ainda são tratados de forma desigual no sistema público de saúde brasileiro.

Em homenagem ao principal ícone da luta contra a escravidão no país, Zumbi dos Palmares, na próxima quinta-feira, 20, é celebrado o Dia da Consciência Negra. O líder foi assassinado no dia 20 de novembro de 1695.

Exemplos não faltam. As chances de crianças pretas e pardas com menos de 1 ano de idade morrerem de doenças infecciosas e parasitárias são 44% maiores do que entre as brancas. No caso específico da tuberculose, o risco é 68% superior ao dos não-negros. Também nos registros de morte materna, o risco para mães pretas e pardas chega a ser 41% maior.

Segundo Thiago Ansel, representante da ONG, o Ministério da Saúde, em 2006, já havia reconhecido a presença do racismo no atendimento a negros no Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo ele, o então ministro da Saúde, Agenor Álvares, chegou a afirmar que a discriminação no país se concretiza em problemas como diagnósticos incompletos e exames que não são realizados em pretos e pardos.

"É importante mencionar que o racismo é estruturante na sociedade em que vivemos. No Brasil, é de costume que o racismo seja tratado como um conjunto de fatos isolados, sendo consensualmente considerados execráveis. Racismo não é somente a ofensa ou o olhar torto. O atendimento no sistema de saúde pública brasileiro é um exemplo emblemático, pois mostra uma das piores faces da descriminação racial: a morte de negros e negras", destaca Ansel.

Anemia falciforme - A anemia falciforme - doença hereditária provocada pela mutação do gene da hemoglobina, sobretudo em pessoas pretas e pardas - é um problema de saúde pública no país por conta do grande número de negros na população brasileira.

O alerta é da médica Ísis Quezado, responsável pelo Programa de Anemia Falciforme do Hospital de Apoio de Brasília. Segundo ela, apenas no estado da Bahia, a cada 550 crianças nascidas vivas, uma é portadora do gene da doença.

"A pessoa é mais anêmica e tem o branco do olho amarelado, o que dá a impressão de que é hepatite. A sintomatologia mais importante são as crises dolorosas. A criança pequenininha já pode ter edema ou inchaço nos dedinhos das mãos e dos pés. Já a criança maior e o adulto têm crises nos ossos longos e nas articulações."

Além das dores, a médica explica que o baço, órgão importante na defesa contra infecções, começa a sofrer déficit de função a partir dos 3 meses de vida do bebê que apresenta a doença. Como conseqüência, a criança tem mais propensão a infecções provocadas principalmente pela bactéria pneumococo.

A especialista destaca que, mesmo durante o pré-natal, é possível detectar o gene nos pais por meio de um exame chamado eletroforese de hemoglobinas. Se pai e mãe forem portadores do traço falciforme, as chances de que a criança tenha anemia falciforme chegam a ser de 25% para cada gestação.

Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a anemia falciforme é uma das principais preocupações da pasta, dentro da Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra. Ele informou que a idéia é incorporar um novo medicamento capaz de melhorar a qualidade do tratamento, além de reduzir os efeitos colaterais.

Agência Brasil

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