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UNCTAD pede mais ajuda para apoiar metas contra a pobreza

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou hoje (4) o Relatório sobre Comércio de Desenvolvimento 2008, publicado anualmente pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O relatório alerta sobre a possibilidade de perspectivas sombrias para os países ricos que podem interromper o recente "boom" dos países em desenvolvimento caso os preços das "commodities" declinem. A UNCTAD pede maior ajuda ao desenvolvimento para apoiar metas contra a pobreza e aponta falhas nas políticas para atenuar as dívidas dos países mais pobres.

De acordo com o relatório, incerteza e instabilidade nos mercados internacionais financeiros, monetários e de commodities, além das dúvidas sobre a direção da política monetária nos principais países em desenvolvimento, são fatores que contribuem para um futuro sombrio para a economia mundial, representando riscos consideráveis para os países em desenvolvimento e subdesenvolvidos.


O foco do relatório da ONU é a situação dos países em desenvolvimento, que continuam vulneráveis às flutuações dos preços de mercadorias. Outro ponto abordado é o que diz respeito às especulações, as quais perseguem lucros em curto prazo em detrimento da estabilidade em longo prazo. Essas especulações junto à crise em potencial, que viria com ajustes abruptos das taxas de câmbio e mudanças nas balanças comerciais nacionais, apontam para a necessidade de mecanismos racionais e tranqüilizadores para controlar os fluxos financeiros internacionais e os equilíbrios monetários.

O documento indica também que a atual crise financeira global e a possibilidade de políticas monetárias rígidas em alguns países são presságios de grandes dificuldades para a economia mundial no restante de 2008 e em 2009. Segundo o relatório, uma depressão global tem que ser evitada ao mesmo tempo em que a inflação derivada do aumento dos preços dos alimentos e da energia ainda está muito alta. A situação pode se tornar ainda mais difícil se as moedas dos países com grandes contas correntes deficitárias forem pressionadas para a desvalorização.

A UNCTAD estima que a produção mundial cresça cerca de 3% em 2008, o que corresponderia a aproximadamente um ponto percentual a menos que em 2007. Apesar de a previsão para o crescimento dos países em desenvolvimento ser de mais de 6%, a recessão nos países desenvolvidos e as políticas monetárias excessivamente restritivas em países em desenvolvimento, com altas inflações nos preços de alimentos e energia, podem levar a uma maior desaceleração do crescimento nestes últimos.
 
O relatório também destaca as falhas de políticas de ajuda e medidas para atenuar as dívidas dos países mais pobres. A UNCTAD pede maior ajuda ao desenvolvimento para apoiar as metas contra a pobreza, além de possibilitar o investimento produtivo e a sustentabilidade da dívida. Ao elogiar o desempenho de um grande número de países em desenvolvimento na redução de suas dívidas externas, a UNCTAD afirma que essa realização se deve parcialmente a melhores políticas macroeconômicas, a uma melhor administração das dívidas e ao cancelamento de algumas delas.

No entanto, o relatório afirma que "este cenário pode não durar para sempre" e recomenda que governos solidifiquem os recentes avanços relacionados à dívida e aos indicadores econômicos. Sugere também a aceleração dos processos de investimento, de crescimento e de mudanças estruturais, bem como a manutenção sustentável da situação das dívidas. As chances de se conseguir essa sustentabilidade são consideradas maiores quando o financiamento de débitos é usado apenas para projetos com retornos superiores aos custos dos juros dos empréstimos.

Para a UNCTAD, as estratégias para lidar com dívidas externas devem ser relacionadas a renovados esforços para que se fortaleçam os sistemas financeiros domésticos. Elas também devem estar ligadas à macroeconomia e à políticas cambiais que busquem prevenir uma supervalorização do câmbio e déficits em contas correntes. Apesar do progresso recente, muitos dos países em desenvolvimento continuam a depender de influxos de capital estrangeiros, não apenas para alcançar os Objetivos do Milênio, mas para aumentar os investimentos domésticos, a fim de alcançar um crescimento mais rápido, financiar os gastos sociais e realizar mudanças estruturais antes de 2015.

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