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Wagner Gomes: “Demissão em massa na Embraer foi um ato de covardia contra a classe trabalhadora”

 A demissão de 4,2 mil trabalhadores da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica) "foi um ato de covardia contra a classe trabalhadora que deve ser repudiado pelo conjunto do movimento sindical brasileiro", declarou Wagner Gomes, presidente da CTB  (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), durante manifestação de solidariedade aos demitidos que foi realizada na tarde desta sexta-feira (27-2) diante da sede empresa, em São José dos Campos. O ato reuniu dirigentes e militantes do Sindicato dos Metalúrgicos, CTB, Conlutas, Força Sindical, UGT e Nova Central.

O dirigente do Conlutas, José Maria, assegurou que a empresa não tem justificativa econômica para promover as demissões, pois as encomendas de aviões para 2009 cresceram em relação ao ano passado. Desta forma, a crise econômica internacional está sendo utilizada como mero pretexto para o enxugamento do quadro de funcionários e um "ajuste" que significará mais exploração para os trabalhadores.



O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, declarou que "Hoje o importante foi que todas as centrais, com exceção da CUT (Central Única dos Trabalhadores), vieram aqui para apoiar a luta dos companheiros da Embraer e começar a pensar em ações unitárias onde houver outras demissões e em ações que levem em conta mudanças na política econômica do país".

Críticas ao governo

O presidente da CTB disse que "está em jogo um conflito de classes que se situa acima das divergências ideológicas e políticas das centrais e exige de nós uma conduta unitária". Ele não poupou críticas ao presidente Lula, que em reunião com as centrais sindicais chegou a declarar que não aceitaria demissões em massa em empresas que recebem recursos e auxílio do governo federal. Estima-se que, ao longo dos últimos 10 anos, a Embraer tenha recebido mais de 8 bilhões de reais do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que é estatal e opera com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

Todavia, depois de ter externado indignação com as demissões na Embraer, o presidente recebeu a direção da empresa depois do carnaval e mudou de opinião, avalizando as dispensas. "O mínimo que esperávamos era que o governo determinasse que a empresa não recebesse" "nem mais um tostão do banco estatal". Não foi o que ocorreu.

Wagner Gomes destacou que "a solidariedade é fundamental neste momento. Ou os trabalhadores se mobilizam e de forma unitária ou o facão capitalista continuará cortando cabeças, sem piedade". A categoria conseguiu uma vitória nesta sexta-feira, com a sentença da Justiça suspendendo as 4,2 mil demissões até a próxima quinta-feira (5-3), que os sindicalistas classificaram de "provisória, mas de grande importância para nossa luta"

Centrais sindicais estudam dia nacional de protestos

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e as centrais sindicais estudam a realização de um dia nacional de protesto contra a demissão de trabalhadores no Brasil. A decisão foi anunciada na tarde desta sexta-feira (27), após reunião na sede do sindicato.



Fotos: João zinclar Lima Silva
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