Wagner Gomes: É preciso diferenciar estar no governo de estar no poder
Joanne Mota, da Rádio Vermelho em São Paulo
Foto: Portal Vermelho
"Nosso desafio deságua em uma luta, na qual disputamos quais os rumos do Brasil".
Para o dirigente, o Brasil mudou muito ao longo destes 10 anos. Wagner sinalizou que este governo, o qual os trabalhadores e trabalhadores junto com os movimentos sociais de forma geral, ajudaram a eleger, chegou ao governo, mas não ao poder.
“É preciso diferenciar ‘estar no governo’ de ‘estar no poder’. Neste país, o poder ainda está nas mãos dos banqueiros, dos latifundiários, dos grandes empresários. Então, nosso desafio deságua em uma luta, na qual disputamos quais os rumos do Brasil, se na manutenção dos interesses dos setores já citados, se na construção de uma nação desenvolvida, mas que inclua e valorize o trabalhador”, salientou Wagner.
Desenvolvimento com justiça socialO dirigente falou sobre a última reunião que as lideranças sindicais tiveram com a presidente Dilma Rousseff e apresentamos suas avaliações e suas propostas para construir junto com o governo, e sem perder de vista os interesses dos trabalhadores, um novo Brasil.
“Entendemos que, neste momento, o país necessita de uma nova arrancada e nós [trabalhadores e trabalhadoras] estamos preparados para contribuir neste avanço”, sinalizou o presidente da CTB.
Na oportunidade, Wagner rememorou duas questões muito positivas tomadas pelo governo: a redução da taxa de energia e a desoneração da cesta básica. O que, segundo o dirigente,
Sobre a questão do superávit primário, Wagner voltou a criticar a política empreendida pelo governo e ressaltou que para reverter os baixos resultados econômicos é preciso medidas que ataquem o centro do problema.
"A CTB, bem como as centrais que lutam por uma política econômica diferente da que está aí, entende que uma das questões que precisa ser revista é a questão do superávit primário. Para nós este é o ralo principal por onde escoa o dinheiro que poderia ser investido em infraestrutura, tecnologia, inovação".
Marcha pelo Brasil
O dirigente explicou que "a marcha de centrais é um desdobramento da 2ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadoras (Conclat), que foi realizada em 1º de junho de 2012 e reuniu 30 mil trabalhadores em torno de uma pauta comum: lutar por desenvolvimento com valorização do trabalho e inclusão social. Naquele momento, tiramos uma pauta mínima e dentre elas estava a luta pelo fim do Fator Previdenciário, Redução da Jornada de Trabalho, Ratificação da Convenção 151 e da 158 da OIT,o reajuste para os aposentados e o 10% do PIB para a Educação e Saúde".
Wagner reconhe que o governo tem dado passos significativos no sentido de derrubar os muros que brecam o desenvolvimento. Porém, o dirigente sindical pondera que “a história já provou que o caminho para o desenvolvimento passa por mais investimentos públicos, pela valorização dos trabalhadores, pela ampliação da renda e pela inclusão social”.

Ele lembrou que o movimento sincical iniciou 2013 à todo vapor e que os atos realizados no início de março aumentaram o protagonismo da classe trabalhadora no país. “Esperamos que uma nova etapa, com mais diálogo e participação da classe trabalhadora, seja iniciada daqui para frente. Esses atos demonstraram que é a partir da unidade de ação que poderemos obter avanços, evitar retrocessos e conseguirmos uma maior inserção nos poderes Legislativo e Executivo", afirmou o sindicalista.
Invisibilidade na mídia
Wagner voltou a criticar a mídia pelo tratamento dado às lutas dos movimentos social ao longo de sua história de luta. Segundo ele, a mídia além de não informar ela muitas criminaliza os que nada mais querem do que um país justo, desenvolvido e soberano. “É impressionante, mais de 50 mil trabalhadores e trabalhadoras se unem pelo Brasil e nenhuma foto foi noticiada”, criticou o sindicalista.
Segundo ele, “a postura que mídia assume, historicamente, só reforça o papel que este setor joga na luta política. Mais do que nunca devemos nos unir por um novo marco regulatório para o setor. Um marco que garanta não o funcionamento que alta definição somente, mas a democratização com regionalização e fomento da cultura e da educação. Para que os cidadãos e cidadãs, que pagam seus impostos, tenham o direito de, ao ligar a TV, ter acesso a uma programação comprometida com o interesse e serviço público”.
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