A marcha das centrais contra a crise
Por Altamiro Borges
Entre outras medidas para aliviar os efeitos da crise, a marcha reivindicará a redução imediata da taxa de juro e do superávit primário, dois mecanismos da política macroeconômica que entravam o crescimento do país e a geração de emprego e renda. Também exigirá o controle da remessa de lucros e do fluxo de capitais. Segundo Pascoal Carneiro, dirigente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), o manifesto ainda pleiteará que qualquer recurso público destinado às empresas seja acompanhado de contrapartidas sociais, com destaque para a estabilidade no emprego.
Em defesa do trabalho
"Vamos exigir a redução da jornada de trabalho, a ratificação da Convenção 158 da OIT [contra as demissões imotivadas], a adoção de medidas anticíclicas com base nos recursos públicos, com o uso das verbas do FGTS e do FAT em empreendimentos habitacionais, e a continuidade do acordo firmado pelo presidente com as centrais pela valorização do salário mínimo", explica o secretário-geral da entidade. A CTB ainda reivindicará a ampliação do prazo de validade do seguro-desemprego e a extensão deste benefício para os assalariados agrícolas.
A marcha, a quinta organizada em conjunto pelas centrais, terá enorme significado. Ocorre num momento de agravamento da crise capitalista, que já começa a ter reflexos no Brasil - com o anúncio de férias coletivas, que sempre prenunciam demissões, e péssimas notícias no campo. Durante a curta fase expansiva da economia, a burguesia privatizou os lucros; agora, diante da crise, ela pretende socializar os prejuízos. Seguindo o ditado de quem não chora não mama, ela pressiona o governo para abocanhar os recursos públicos. A marcha será o contraponto à pressão do capital. Daí a importância de intensificar, desde já, os preparativos deste protesto unitário. Do contrário, a crise recairá sobre os trabalhadores e, depois, não adiantará chorar o leite derramado.
* Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - Partido Comunista do Brasil
