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Os bancos publicos são importantes para manter o equilíbrio na economia

José Souza Segundo estudo do BNDES, de setembro a dezembro os créditos dos bancos públicos tiveram expansão de 12,9%, enquanto os dos privados cresceram 3,2%. Isso quer dizer que os bancos públicos foram responsáveis por 68% da variação das operações de crédito. Sozinho, o BNDES contribuiu com 32% de toda a variação do crédito no período, exatamente a mesma parcela de todos os bancos privados. As outras instituições públicas, como Banco do Brasil e Caixa, ficaram com os 36%.
 

Para o economista Gilberto Borça Junior, um dos autores do estudo do BNDES, "Os bancos públicos estão funcionando como a mola amortecedora dos efeitos da crise. A existência de bancos estatais está sendo, nessa crise, um diferencial importante na capacidade dos Estados tornarem mais efetiva sua capacidade de compensar a retração das instituições privadas", diz o texto do estudo.


Do estudo se infere que os bancos privados escondem o jogo, pois a liberação do compulsório seria exatamente para aumentar a oferta de crédito e eles não o fizeram. Conclui-se, ainda, a necessidade da redução do spread no sentido do barateamento do dinheiro.


Não há mais dúvida de que os bancos públicos são importantes para manter o equilíbrio na economia, entretanto, está mais do que na hora dessas instituições voltarem a ser de fato verdadeiros bancos públicos.

O presidente Lula vinha fazendo forte pressão para que os bancos baixassem as taxas de juros, como forma de estimular a economia brasileira em meio à crise financeira que atinge o mundo, e reduzir o spread bancário. Porém, não foi atendido, ou foi muito timidamente.

Na última quarta-feira (8), insatisfeito com as altas taxas de juros cobradas pelo Banco do Brasil, Lula decidiu trocar o presidente da instituição, Antônio Francisco de Lima Neto, por um dos vices, Aldemir Bendine, o que poderá ser um bom começo.

A troca do presidente do BB deve servir de sinal aos demais gestores de bancos estatais de que finalmente o presidente da República resolveu tomar posse. Falta, porém, a regulamentação do artigo 192 da Constituição Federal, no sentido de deixar claro qual é o papel que cada instituição deve desempenhar no nosso sistema financeiro. Mas Lula demitiu o cara errado. Ele deveria demitir, sim, Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, que tem pisado fortemente no freio da queda da taxa de juros.


(*) Presidente do Sindicato dos Bancários e funcionário do Banco do Brasil
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