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Soberania da América Latina ameaçada

Hermelino Neto


O século passado foi marcado pela agressão imperialista à America Latina através de golpe militar. O Império do Mal, utilizando as Forças Armadas destes países, torturou e assassinou milhares de estudantes, trabalhadores, religiosos e intelectuais contrários a "ocupação norte-americana".

Essas ditaduras interromperam sonhos, porém, o povo latino derrotou o imperialismo americano e seus subservientes de plantão. Apesar das vitórias, o acúmulo de força não foi suficiente para eleger governos de esquerda. No Brasil, a década de 80 foi considerada perdida e a de 90 foi dominada pelo governo entreguista do PSDB e PFL, hoje DEM. Estes governos de direita programaram na AL políticas de caráter neoliberal favoráveis às privatizações.

Em 2000, o ministro de Defesa dos Estados Unidos, James Bodner, declarou que o Plano Colômbia (intervenção dos EUA na Colômbia) seria implementado independente da vontade dos países da AL. No mesmo ano, iniciou as operações militares com a desculpa de combater a guerrilha de esquerda supostamente ligada ao narcotráfico. O interesse dos EUA é o petróleo e os recursos naturais e hídricos da Amazônia Colombiana.

O golpe militar na Venezuela em 2002 e em Honduras em 2009; a reativação em 2008 da 4ª Frota (Navio de Guerra) da Marinha norte-americana, depois de 50 anos, nos mares da América Latina e Central; a assinatura do polêmico acordo entre os EUA e a Colômbia que permite a instalação de sete bases americanas na Colômbia, sem o aval do Congresso colombiano nem da Suprema Corte, com o um único objetivo de ocupação militar e controle político, aumentam o clima de instabilidade no continente.

As agressões dos imperialistas não param por aí. Agora, a bola da vez, novamente, é a Argentina. Desde 1833, as Ilhas Malvinas estão sob controle Britânico, embora esta ilha fique a 500 km do litoral argentino. A Inglaterra iniciou a exploração de petróleo na bacia das Malvinas e já enviou "em segredo" dois navios de guerra para a região. Em 1982, os dois países travaram uma guerra pela soberania da ilha.

Na semana passada, o governo brasileiro declarou apoio à Argentina na disputa pela Ilhas Malvinas e defendeu uma saída diplomática. Na reunião de cúpula dos países latino-americanos e do Caribe, no México, foram aprovados dois textos em apoio aos legítimos direitos da República Argentina.  Os bancários (as), formadores de opinião que são, tem papel importante neste debate.  


Hermelino Neto
Funcionário do Itaú e Secretário Geral da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe

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