Trabalhadores da Bahia e Sergipe protestam contra os juros altos

Os bancários da Bahia e Sergipe participaram dos protestos contra os juros altos realizados nas principais cidades do país nesta terça-feira (21/3), dia em que se inicia a reunião do Comitê de Políticas Monetárias (Copom) do Banco Central, órgão que define a taxa básica de juros da economia (Selic).
Nos protestos, os trabalhadores pedem a redução da Selic, que é mantida em 13,75% desde agosto de 2022. Com uma das taxas de juros mais altas do mundo, o país tem sofrido com a estagnação da economia, a retração do consumo e da geração de emprego e renda.
“A situação brasileira é muito complexa. Isso foi dito, inclusive, pelo ganhador do prêmio Nobel da Economia em 2001, Joseph Stiglitz. O que se percebe é que a economia brasileira está em risco, devido à elevação da taxa de juros. Em pouco tempo, a Selic saiu de 2% para 13,75% e isso está resultando na falência de diversas empresas. Por isso é importante que se baixe a taxa de juros, para dar um alívio para as empresas produtivas. Elas não podem trabalhar com os juros elevados, pois elas têm compromissos que foram contraídos em um patamar e hoje está em outro patamar. Isso envolve as reservas destas empresas que estão ameaçadas de falir e isso pode levar o país à recessão”, ressaltou o presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Hemrelino Neto, durante o ato contra os juros em Salvador.

A manifestação na capital baiana foi realizada no Centro Administrativo da Bahia (CAB), com a participação da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) e demais centrais sindicais, dos movimentos sociais e de trabalhadores de diversas categorias.
O Sindicato dos Bancários da Bahia e a Federação da Bahia e Sergipe participaram da mobilização, lembrando dos impactos dos juros altos na economia do país. “O Brasil hoje tem a maior taxa básica real de juros do planeta descontada a inflação. Nós estamos com uma taxa real de juros superior a 8% ao ano”, finalizou o presidente do SBBA, Augusto Vasconcelos, afirmando que logo em seguida vem apenas o México.

Em Aracaju, a manifestação foi na porta da Superintendência do Banco do Brasil. As lideranças sindicais protestaram contra a autonomia do Banco Central (BC) e pediram a cabeça do atual presidente do BC, o bolsonarista Roberto Campos Neto. “Este ano, a CTB, com outras centrais e frentes populares, vem intensificado as mobilizações pela redução da taxa de juros pelo BC. Essa é uma pauta primordial da classe trabalhadora para incentivar a retomada da industrialização no país. Os juros altos são desastrosos para as finanças públicas e impedem ao novo governo de Lula avanços para implementação de políticas públicas”, afirma o presidente da CTB/SE e diretor do Sindicato dos Bancários de Sergipe, Adêniton Santana.

