Menu
Campanha Salarial 2026

Fome aumenta e atinge 33,1 milhões de pessoas no Brasil

A falta de comida é realidade para 33,1 milhões de brasileiros. É o que revela o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, lançado nesta quarta-feira (8/6). De acordo com a pesquisa, mais da metade da população (58,7%) convive com a insegurança alimentar em algum grau – leve, moderado ou grave.

A pesquisa é da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), e teve execução em campo pelo Vox Populi. Os dados foram coletados de novembro de 2021 até abril, a partir de entrevistas em 12.745 domicílios, em áreas urbanas e rurais de 577 municípios, nos 26 estados e no Distrito Federal.

Os resultados da pesquisa mostram que a segurança alimentar é “privilégio” da minoria da população. De cada 10 domicílios, apenas quatro conseguem manter pleno acesso à alimentação. Assim, os outros seis se dividem entre os que estão permanentemente preocupados com a possibilidade de não ter alimentos e os que já passam fome. Em números absolutos, são 125,2 milhões de brasileiros que passaram por algum grau de insegurança alimentar. Aumento de 7,2% desde 2020 e de 60% em comparação com 2018.

As regiões Norte e Nordeste têm situação pior: a fome é rotina para 25,7% e 21% das famílias, respectivamente, ante uma média nacional de 15%. Nas áreas rurais, mais de 60% dos domicílios convive com insegurança alimentar, sendo 18,6% em nível grave.

A situação piora quando se vê que a fome dobrou nas famílias com crianças menores de 10 anos – de 9,4% em 2020 para 18,1% neste ano. A pesquisa mostra ainda que a fome tem cor e gênero: a segurança alimentar está em mais da metade (53,2%) dos domicílios onde a pessoa de referência se autodeclara branca. E cai para 35% naqueles , com responsáveis de raça/cor preta ou parda, classificação usada pelo IBGE. De 2020 a 2022, “a fome saltou de 10,4% para 18,1% entre os lares comandados por pretos e pardos”. Nas casas com homens como responsáveis, são 11,9% (ante 7% na pesquisa anterior). Nos domicílios com mulheres, 19,3% (11,2%).

No primeiro levantamento em 2020, eram 19 milhões de pessoas sem ter o que comer, o que representa um aumento de mais de 14 milhões brasileiros em insegurança alimentar. A continuidade da pandemia da covid-19, o desmonte das políticas sociais e falta de ações do governo federal no combate à fome são as principais causas da piora.

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar