Desemprego aumenta pressão de quem fica na empresa
No Brasil cerca de 12 milhões de pessoas estão desempregadas, mas pouco se fala dos efeitos do desemprego para quem fica nas empresas. Com tantos demitidos, quem continua contratado pode virar um "funcionário-polvo", acumulando funções de ex-colegas, além de precisar lidar com o medo do desemprego.
Apesar de não ter sido medido em números, esse fenômeno é o velho conhecido dos especialistas no mercado de trabalho. Para manter o ritmo, empresários ficam com os subordinados considerados mais versáteis, que podem aprender novas tarefas rapidamente.
Os bancários conhecem bem esta realidade. A cada dia que passa, os bancos que atuam no país diminuem os postos de trabalho, mesmo com o aumento do número de clientes. O resultado, é a sobrecarga de trabalho e adoecimento da categoria.
De acordo com o IBGE, o desemprego que está acima de 11% no Brasil, aumenta o medo de ser mandado embora. Dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria) comprova isso, informando que o medo do desemprego ficou em 64,8 pontos em dezembro; obtendo o maior resultado desde 1996.
Os relatos de acúmulos de tarefas se espalham pela indústria, comércio e serviços. A ligação entre produtividade e recessão foi discutida em estudos americanos feitos após a crise econômica de 2008. Segundo o trabalho de economistas da Universidade de Stanford e da Universidade de Utah, do último trimestre de 2007, quando a recessão dos EUA começou, até o terceiro trimestre de 2009, quando ela terminou, a produtividade no país cresceu 3,16% em setores não-agrícolas. A marca atingida em 2009 (3,2%) foi a maior desde 2003.
Para os pesquisadores, dois motivos justificaram esse crescimento: a demissão dos trabalhadores menos produtivos e, principalmente, o esforço dos que ficaram para manter suas vagas.
Os danos físicos e mentais causados nos trabalhadores não é algo que se resolverá imediatamente com a recuperação econômica. O esgotamento dos brasileiros trará consequências a longo prazo, sobretudo para as empresas que continuarem pressionando seus funcionários acima de seus limites.

