Clientes lotam bancos após fim da greve dos vigilantes
Filas e muitas dúvidas. Este foi o cenário da maioria das agências bancárias e do INSS na manhã da última quinta (8/6) e desta sexta-feira (9/6), após o final da greve dos vigilantes, que durou 15 dias. Logo cedo, filas eram vistas na maioria das agências da cidade, muita gente querendo pagar contas e outras para remarcar ou tentar resolver problemas no INSS.
Na Avenida Sete e no bairro do Comércio, onde se concentra a maioria das agências bancárias, a filas eram longas. Teve gente que chegou por volta das 6 horas para ser atendido de imediato, como o operador de telemarketing Carlos Sampaio. “Troquei o meu celular e perdi o acesso da minha chave de segurança para fazer as operações bancarias pelo aplicativo. Com isso, as contas acumularam, mesmo com dinheiro na conta não conseguia fazer as operações, vim cedo porque sabia que teria filas e preciso trabalhar ainda”, explicou.
A auxiliar de serviços gerais, Adriana Silva de Jesus, que procurou a agência da Caixa Econômica da Vasco da Gama para sacar seu FGTS comemorou o fim da paralisação. “Estava apreensiva de não conseguir pegar meu dinheiro, estava contando com ele para pagar as contas e aproveitar o São João”, disse.
Já a digitadora Vanda Barreto reclamou da longa fila que enfrentou no INSS de Brotas. Ela teria perícia na semana passada, mas, por conta da greve, não conseguiu atendimento, e foi à agência para remarcar. “Fiquei uma hora na fila e não consegui remarcar, mandaram ligar, mas não consegui atendimento e voltei à agência para resolver o problema”, reclamou.

Fim da greve
Empresas de vigilância e trabalhadores do setor em todo o estado chegaram a um acordo durante a mediação realizada na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), no Corredor da Vitória, no fim da tarde da quarta-feira (07/06). Com isso, a categoria encerrou a greve que afetava serviços bancários e o funcionamento de repartições públicas e museus. O acordo coletivo prevê reajuste de 6% sobre os salários, redução de 20% para 15% do valor descontado do trabalhador sobre o vale-alimentação e pagamento ou compensação dos dias parados. A jornada de trabalha de 12 horas por 36 de descanso foi mantida e será discutida posteriormente.
A proposta acordada e imediatamente aprovada em assembleia pelos trabalhadores, realizada em frente à sede do MPT prevê que os salários serão reajustados a partir do mês de maio, mas que a diferença desses dois meses só será creditada aos trabalhadores na folha paga em setembro. A data-base da categoria também ficou mantida em 1º de fevereiro. O índice de 6% supera a inflação no período medida pelo INPC, que foi de 5,44% – houve, portanto, um ganho real de 0,56%.
O patronato insistiu em somente creditar a diferença dos salários de maio e junho na folha de setembro alegando que precisa comunicar aos seus contratantes – 60% dos contratos são com o setor público, com destaque para o Governo do Estado da Bahia – com antecedência para que haja a repactuação dos contratos. Ambos os lados avaliaram como positivo o desfecho da greve, evitando que o caso tivesse que ser decidido pelo Tribunal Regional do Trabalho, em um eventual dissídio.

