Eleição é definida no primeiro turno em nove capitais
Nove capitais estaduais já elegeram seus prefeitos no primeiro turno das eleições, realizado neste domingo (7). Nas seguintes cidades o pleito já foi liquidado: Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE), Porto Alegre (RS), Goiânia (GO), Maceió (AL), Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Palmas (TO) e Boa Vista (RR).
Nas outras 17 capitais a eleição será definida no segundo turno.
No Rio de Janeiro, a votação recebida pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB), reeleito ao cargo foi recorde na cidade.
Com uma megacoligação de 20 partidos, Paes garantiu mais de 16 minutos do tempo de TV, o maior entre os candidatos das capitais. Ao longo dos três meses de corrida eleitoral, o peemedebista não teve a vitória ameaçada, segundo as pesquisas de intenção de voto.
Em Belo Horizonte, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) também foi reeleito, vencendo o candidato do PT, Patrus Ananias.
A vitória sela o rompimento de Lacerda com o PT. Eles se uniram em 2008, juntamente com o PSDB do senador Aécio Neves, e criaram uma inusitada aliança político-administrativa na cidade, que resistiu por três anos e meio.
Lacerda tem agora como principal aliado político o PSDB. Aécio é o potencial candidato tucano a presidente da República em 2014 e poderá lançar Lacerda candidato ao governo mineiro para atrair o PSB nacional.
Outro prefeito reeleito foi o de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), deixando Manuela D'Ávila, do PC do B, em segundo.
Fortunati já foi duas vezes vice-prefeito e assumiu o cargo no começo de 2010, quando José Fogaça (PMDB) renunciou à prefeitura para concorrer ao governo do Estado.
O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), também foi reeleito para o cargo. Ele venceu com com folga o deputado federal Jovair Arantes (PTB).
As denúncias da CPI do Cachoeira tiveram reflexo direto no baixo desempenho do petebista --Jovair era apoiado pelo governador Marconi Perillo (PSDB), que teve o nome diretamente envolvido nas investigações sobre a exploração de jogos de azar no Estado.
NORDESTE
Já no Recife quem levou a eleição no primeiro turno foi Geraldo Julio (PSB). Ele ficou à frente de Daniel Coelho (PSDB) e Humberto Costa (PT).
Geraldo Julio é afilhado político do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e fez uma das eleições mais caras para o comando da cidade no período recente.
Sem experiência em eleições e com quase nenhuma expressão popular, Geraldo Julio foi pinçado pelo padrinho após PSB e PT romperem na capital pernambucana. O racha teve imediato reflexo no plano nacional, chegando a abalar a relação de Campos com o ex-presidente Lula.
Em Aracaju, João Alves Filho (DEM) vai assumir novamente a cadeira que ocupou há 33 anos, entre 1975 e 1979. Aos 71 anos, Alves Filho volta ao comando da cidade com a experiência de quem foi três vezes governador de Sergipe (1983-1987; 1991-1994; 2003-2006) e ministro do Interior (1987-1990) do governo José Sarney (1985-1990).
O candidato do PSDB à prefeitura de Maceió, Rui Palmeira, também foi eleito no primeiro turno.
NORTE
Em Palmas, cidade que não realiza segundo turno por ter menos de 200 mil eleitores, o eleito foi o empresário colombiano Carlos Amastha (PP). Iniciante na política, Amastha começou com 1% de intenção de votos nas pesquisas e surpreendeu ao ganhar espaço durante a campanha. Ele venceu Marcelo Lelis (PV), candidato apoiado pelo governador Siqueira Campos (PSDB).
Outra capital que não realiza segundo turno é Boa Vista (RR). Lá, a Teresa (PMDB) foi eleita, ficando à frente de Mecias de Jesus, do PRB.
SEGUNDO TURNO
São Paulo é uma das 16 capitais em que haverá segundo turno, que será realizado no próximo dia 28.
A eleição foi marcada por uma virada na reta final. Celso Russomanno (PRB), que liderou as pesquisas na maior parte da campanha, ficou de fora do segundo turno, que vai ser disputado por José Serra (PSDB), que obteve 30,75% dos votos válidos, e Fernando Haddad (PT), que teve 28,98% dos votos válidos.
Em Salvador, ACM Neto (DEM) e Nelson Pelegrino (PT) vão disputar o segundo turno. Embora sejam rivais históricos na cidade e no Estado, é a primeira vez que o PT e o DEM (antigo PFL do senador Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007) estarão frente a frente numa decisão soteropolitana.
Em Curitiba, a disputa pelo segundo lugar foi acirrada. Por uma apertada margem de votos, o ex-deputado federal Gustavo Fruet (PDT) vai disputar o segundo turno das eleições na cidade contra o deputado federal Ratinho Junior (PSC), contrariando as pesquisas de intenção de voto. O pedetista, que ficou atrás nas pesquisas até a reta final, superou o atual prefeito Luciano Ducci (PSB).
Em setembro, Fruet chegou a ficar dez pontos percentuais atrás do atual prefeito nas pesquisas --cuja rejeição aumentou ao longo da campanha e chegou a 29% no último sábado, o maior índice entre os candidatos.
Enquanto isso, Marcus Alexandre (PT) e Tião Bocalom (PSDB) irão se enfrentar no segundo turno das eleições para a Prefeitura de Rio Branco. Desde meados de agosto, as pesquisas de intenção de voto mostravam os dois candidatos em empate técnico.
Em Porto Velho, o candidato Dr. Mauro Nazif (PSB) vai disputar o segundo turno com Lindomar Garçon (PV). Porto Velho é a única chance do PV de ganhar a prefeitura de uma capital no país.
HERANÇA
Em Natal, cidade em que a atual prefeita, Micarla de Souza (PV), desistiu de tentar a reeleição e deixará a gestão com desaprovação recorde, a disputa fica entre Carlos Eduardo Alves (PDT) e Hermano Moraes (PMDB). O novo prefeito terá problemas nas áreas de transporte e saúde --a prefeitura é acusada de atrasar pagamentos de terceirizados da saúde e enfrenta protestos contra o aumento da passagem de ônibus.
Aliados até julho deste ano no Ceará, PT e PSB vão disputar o segundo turno das eleições em Fortaleza. O confronto será entre o petista Elmano de Freitas e o socialista Roberto Cláudio -- candidatos apoiados, respectivamente, pela administração municipal e estadual.
Ambos iniciaram a campanha com menos de 10% das intenções de voto e cresceram após o início do horário eleitoral gratuito. Juntos, Elmano e Cláudio tiveram mais tempo de TV e mais recursos na campanha do que a soma dos outros oito candidatos.
O ex-senador Arthur Virgílio (PSDB) e a senadora Vanessa Grazziotin (PC do B) irão disputar o segundo turno nas eleições pela Prefeitura de Manaus.. A senadora foi a única candidata não petista que recebeu pessoalmente reforço do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha --na visita a Manaus, Lula disse que tinha a intenção de derrotar o tucano, um de seus maiores desafetos durante seu governo.
Em Florianópolis, o candidato César Souza Júnior (PSD) vai disputar o segundo turno com Gean Loureiro (PMDB). O resultado marca uma reviravolta ocorrida no cenário eleitoral nos últimos dias, quando as pesquisas apontavam Loureiro em terceiro lugar.
Candidato à reeleição, o prefeito de São Luís, João Castelo (PSDB), disputará o segundo turno contra o deputado federal Edivaldo Holanda Júnior (PTC). O vice-governador do Maranhão, Washington Luís, que concorria pelo PT à prefeitura da capital, está fora da disputa.
Apoiado pela governadora Roseana Sarney (PMDB) e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que gravou depoimentos para seu programa eleitoral, Washington vinha crescendo nas pesquisas no último mês, mas não o suficiente para ultrapassar Holanda Jr..
VIRADA
Já a disputa pela Prefeitura de Belém será decidida no segundo turno entre o ex-prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL) e Zenaldo Coutinho (PSDB), candidato apoiado pelo governador Simão Jatene (PSDB). Edmilson, que foi prefeito por dois mandatos quando ainda era filiado ao PT (1996-2004), liderou desde o início da campanha, segundo as pesquisas.
Porém, na reta final, Zenaldo Coutinho ganhou força, com o apoio ostensivo do governador do Estado e a popularidade obtida em uma disputa recente: o plebiscito sobre a divisão do Estado.
O candidato do PSDB, Firmino Filho, vai disputar o segundo turno das eleições em Teresina contra o atual prefeito, Elmano Férrer (PTB). A disputa em Teresina foi marcada pela ruptura da aliança entre o PTB e o PT.
PRISÃO
Em Macapá, o atual prefeito Roberto Góes (PDT), irá ao segundo turno como favorito para ficar no cargo, em disputa com Clécio Luís (PSOL). Góes foi preso em 2010 sob acusação de fraude em licitações. Ele foi alvo da Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, que investigava suposto esquema de desvio de verbas federais no Amapá por políticos, funcionários públicos e empresários do Estado. Depois de passar dois meses preso, ele voltou ao cargo.
Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e Luciano Rezende (PPS) vão disputar o segundo turno em Vitória. Há pelo menos 20 anos prefeitos do PT e PSDB alternam-se na administração da capital capixaba, mas neste ano o PT ficou em terceiro --a ex-ministra Iriny Lopes terminou em terceiro na disputa.
Em João Pessoa, PT e PSDB vão disputar o segundo turno, com os candidatos Luciano Cartaxo (PT) e o senador Cícero Lucena (PSDB).
As campanhas de Lucena e Cartaxo foram marcadas pela presença de políticos de projeção nacional. Na reta final, em setembro, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) participou de evento de campanha de Lucena, ao lado do senador e ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Já Cartaxo teve o apoio da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, que gravaram mensagens para o programa eleitoral do candidato.
Enquanto isso, em Campo Grande, a disputa acirrada que Alcides Bernal (PP) e Edson Giroto (PMDB) vinham enfrentando nas pesquisas de intenção de voto se confirmou e os dois vão para o segundo turno. Em jogo está a hegemonia do PMDB na capital de Mato Grosso do Sul, que já dura 19 anos.
Por fim, o comando da Prefeitura de Cuiabá será disputado em um segundo turno entre o empresário Mauro Mendes (PSB) e o vereador Lúdio Cabral (PT). A capital de Mato Grosso foi a última do país a ter sua situação definida. Isso ocorreu em razão de uma falha técnica do TRE-MT (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso), que considerou nulos os votos concedidos a Lúdio Cabral, que liderava as pesquisas de intenção de voto.
Fonte: Folha On Line

