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SEEB-SE cria luta inclusiva


ivania_pereira_diretora_do_seeb_em_assembleia_na_greve_de_2008Depois de uma longa jornada de trabalho, entre as 18 e 19h, é comum as trabalhadoras correrem para suas casas a fim de preparar um jantar rapidinho, como forma de tentar aproveitar o restinho do dia com os filhos e o marido. Agora, as mulheres que inventavam empunhar bandeiras e lutar por seus direitos trabalhistas, nos idos dos anos 80, não tinham essa regalia. Os sindicatos foram criados para o homem. Os horários eram dificílimos, lembra a bancária Ivânia Pereira, 50, membro do Sindicato dos Bancários de Sergipe Seeb/SE. Hoje a coisa mudou completamente, decreta.
 

Com corpo franzino, a tez alva, que, por conta de sua delicadeza, pode confundir a personalidade da sindicalista, e a voz aguda, o que muitas vezes não ajudava na exposição de idéias no meio de uma assembléia repleta de debates graves, Ivânia Pereira não só ganhou espaço no Sindicato como hoje ocupa a posição de secretária de Saúde e Condições de Trabalho da diretoria executiva da entidade. Sua chegada e a consequente inserção de outras mulheres na luta impulsionou as mudanças na organização da entidade, seja das plenárias, como das reuniões e dos próprios piquetes. "Ser mulher em um sindicato ainda é difícil. Enfrentar uma plenária e uma assembléia inibe", diz. Talvez seja por isso que ainda tão poucas se agreguem à luta.


Hoje, o Seeb/SE conta com o apoio de quatro mulheres em sua gestão. Esse é um espaço de poder de que elas não podem abdicar, opina Ivânia Pereira. O número é pouco, mas já é muito maior do que o vazio feminino nas assembléias dos anos 80. Mesmo tendo atrasado sua carreira como mãe e esposa por conta da luta sindical, Ivânia está casada há 12 anos e tem um filho de 9. Ela segue realizada na contramão do discurso sobrecarregado das mulheres que enfrentam jornada tripla: trabalho, afazeres domésticos e a luta sindical.


CASA E FILHOS
Quando estava no movimento estudantil achava que ia transformar a sociedade, acabar com a pobreza e a miséria. Não pensava que ia ter tempo para casar e ter filhos, lembra a sindicalista Ivânia Pereira. Hoje ela acredita que a união familiar a fez sedimentar ainda mais a visão de mundo socialista mais igualitário pelo qual ainda tenta lutar. "Com meu filho pude ver a materialização dos meus sonhos. Sempre tento mostrar que o mundo era bem diferente para que ele saiba valorizar as pessoas e nossa história", revela.

Aos 55 anos, a bancária Pureza Sobrinha, nascida no seio da luta sindical do interior do Estado, tem uma trajetória diferente da também bancária Ivânia, que ingressou no Sindicato só na juventude, aos vinte e poucos anos. Divorciada e sem filhos, Pureza é a descendente direta de Joaquim Batista Sobrinho, criador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Município de Nossa Senhora da Glória. A Fetase também teve sua ajuda na criação, diz, orgulhosa do pai. Pureza culpa a tripla jornada pelo afastamento das mulheres dos sindicatos.

"Há o trabalho no banco, mais os afazeres domésticos, os filhos e, infelizmente, o homem participa pouco da vida familiar", avalia, revelando que decidiu deliberadamente optar pela carreira sindical. "Eu não teria o dom de ter filhos e digo sempre que o movimento não é dos homens ou das mulheres, mas é de quem percebe a necessidade da luta sindical", diz. 

Ao contrário de Ivânia, que encontrou restrições frente aos pais para ingressar no movimento sindical, Pureza de cara recebeu o apoio da família, que já a carregava para os eventos sindicais desde a infância. "A linguagem sindical nunca foi estranha pra mim. O importante era lembrar sempre que estava lutando para que todos tivessem uma vida digna, valorizada, sem exploração", explica a sindicalista. Antes de tudo, o importante mesmo, para essas duas mulheres, que representam boa parte das mulheres que enveredaram pelos caminhos dos sindicatos, é fazer valerem suas opiniões. Isso foi algo que sempre me foi estimulado dentro do Sindicato dos Bancários", garante Ivânia. 


JOVEM NO PODER

Mas as mulheres não foram as únicas a terem direito a influenciar nas mudanças na organização sindical. Os jovens também falaram alto e conseguiram demonstrar suas necessidades, a maioria delas relacionada à modernização da luta sindical. Thiago Batista, 22, sentiu na pele a diferença de ser amparado por um sindicato moderno, preocupado com uma comunicação horizontal e sem qualquer tipo de ruído. A questão é que, com o Seeb/SE, o rapaz passou dois anos lutando para finalmente ser convocado pelo Banco do Brasil, em cujo concurso realizado em 2007 foi aprovado na sexta colocação. Em julho o rapaz assumiu seu posto efetivo. 

"Eles têm jornais, site e reuniões constantes. Além disso, todos nos atendem por telefone sem cerimônias e esclarecem as dúvidas pacientemente", celebra o jovem bancário. "Tive todo suporte de que precisei mesmo sem sair de casa, utilizando a internet e emails. Eles sabem utilizar a tecnologia avançada para auxiliar a gente", detalha Thiago Batista. Ainda extasiado com a nova vida de bancário. "Espero que eles continuem lutando pelos direitos de nossa categoria", diz. 

O presidente do Sindicato dos Bancários, José Souza, explica que o papel do Sindicato é o de identificar as necessidades da categoria, em todas as suas mais variadas instâncias, e atendê-las ou defender a criação de aparato por parte dos empregadores para suprir essas necessidades. Um exemplo é justamente a crescente quantidade de funcionários, de ambos os sexos e das mais variadas idades, acometidos pela Lesão por Esforço Repetitivo (LER).

"O interesse do patronato é que os trabalhadores sejam o mais desunidos possível. Foi o patronato quem incutiu esse sentimento de individualidade nos trabalhadores. Mas, é aí que entra o Sindicato, direcionando as reivindicações e fazendo com que o interesse seja um só: o de defender a categoria", resumiu o sindicalista. Sejam homens, mulheres ou jovens, uma coisa é certa: antes de tudo, eles são todos trabalhadores.

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