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Oposição da Bolívia impõe condições e pode frustrar diálogo com governo

O governo boliviano informou, nesta segunda-feira (22), que uma resposta imediata dos opositores é imprescindível para o êxito do diálogo para pacificar o país. O Conselho Nacional Democrático (Conalde) exige autonomia plena para viabilizar a aprovação da nova Constituição. Diante do impasse, Michelle Bachelet convocou nova reunião da União das Nações Sul-americanas (Unasul) e os movimentos sociais decidiram reforçar cerco à cidade de Santa Cruz de la Sierra.

O ministro de Desenvolvimento Rural e Agropecuária, Carlos Romero, afirmou que nem o governo nem os governadores de oposição estão em condições de estabelecer prazos para a conclusão do diálogo, pois o país precisa de respostas rápidas para superar a crise política. Romero disse que os governadores deveriam explicar com clareza o que entendem por autonomia plena departamental. Segundo Romero, se eles se referem à atribuição de ações subnacionais, poderes jurisdicionais, de força pública, manejo de relações internacionais e autoridade em matéria estratégica estão equivocados.

No domingo (21), o Conalde colocou a inclusão da autonomia plena departamental como condição para dar curso ao processo de aprovação do novo texto constitucional. O representante do Conselho, Mario Cossío, confirmou a apresentação de uma última proposta que estabelece essa condição. A proposta apresentada ratifica também a vontade de que as mesas de debate sobre o Imposto Direto aos Hidrocarbonetos (IDH) e das autonomias departamentais trabalhem de maneira ininterrupta até o dia 25 de setembro. 

A delegação da Unasul lamentou que a oposição e o governo não tenham chegado a um primeiro acordo. A presidente do Chile, Michelle Bachelet, convocou os chefes de Estado dos países da Unasul para uma nova reunião para analisar a crise da Bolívia. O encontro será realizado na quarta-feira (24), em Nova York, durante a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A entidade sul-americana pretende organizar o mais rápido possível a comissão de diálogo liderada pelo ex-chanceler chileno Juan Gabriel Valdés.

A Coordenação Nacional pela Mudança (Conalcam - sigla em espanhol) informou que as organizações sociais do país decidiram, a partir desta segunda-feira, radicalizar suas medidas de pressão sobre a oposição. Dessa forma, os movimentos sociais vão reforçar os bloqueios e o cerco a Santa Cruz de la Sierra. Até ontem, eram esperados cerca de 50 mil membros dos setores sociais aliados ao governo para cercar a capital diante da probabilidade de que não avance o diálogo nacional que começou no dia 16 de setembro.
 
Enquanto isso, a Corte Nacional Eleitoral (CNE) da Bolívia aprovou ontem o calendário para decidir sobre os novos governadores nos departamentos de La Paz e Cochabamba, revogados no referendo do dia 10 de agosto. As eleições foram marcadas para o dia 25 de janeiro de 2009.


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