Autorização da Caixa DTVM põe futuro do banco em risco

A política de desmonte da Caixa do governo Bolsonaro segue a todo vapor. Na última segunda-feira (27/9), o Banco Central autorizou o funcionamento da Caixa Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), subsidiária criada pelo banco que vai administrar R$ R$ 693,9 bilhões em ativos.
A medida é preocupante, pois tem o objetivo de facilitar a venda das partes lucrativas da Caixa, colocando em risco a sustentabilidade do banco e comprometendo o financiamento dos programas sociais.
Abrir mão de tanta receita é um absurdo. Atualmente, a Caixa Asset, que será substituída pela DTVM, conta com 426 fundos e R$ 693,9 bilhões em ativos sob gestão, o que a coloca na quarta posição das maiores administradoras de recursos financeiros do país. A prestação de serviços dos Fundos de Investimento e Carteiras Administradas representa a quarta maior receita da Caixa (mais de 9%). Entre 2016 e 2020, as receitas do segmento cresceram 33,6%.
Segundo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, o plano é transferir os ativos da Caixa Asset para a DTVM nos próximos 20 dias e fazer o IPO (abertura de ações na Bolsa de Valores) já no início do ano que vem, vendendo uma das partes mais estratégicas do banco, com lucro de R$ 2,1 bilhões em 2020.
A criação da DTVM segue os passos da abertura de capital da Caixa Seguridade, quando 17% da subsidiária foi vendida por meio de IPO. A gestão do banco ainda pretende abrir para o mercado outras subsidiárias, como a Caixa Cartões, as Loterias e o ainda nem criado Banco Digital – alguns dos setores mais estratégicos e rentáveis da estatal.
O desmonte da Caixa é parte da estratégia do ministro da Economia Paulo Guedes de privatizar todas as empresas estatais do país, entregando ao capital financeiro o que o Brasil tem de melhor.
Para o secretário Geral da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Emanoel Souza, os empregados da Caixa devem se preparar para mais ataques aos seus direitos. “Esta tem sido uma estratégia da direção da Caixa para impedir que a gente se organize para fazer o enfrentamento à privatização, que segue a todo vapor. Isso não tem dado certo e vamos continuar mobilizados para denunciar o desmonte e garantir a manutenção da Caixa 100% pública”, afirmou o integrante da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa.

