Bancários debatem aumento de adoecimento no setor

Lideranças sindicais e bancários da base se reuniram no último sábado (23/2), em Salvador, para debater estratégias para o enfrentamento ao adoecimento nos bancos. Organizado pela Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase), em parceira com o Sindicato da Bahia, o encontro teve o objetivo de fomentar as discussões entorno das doenças físicas e mentais relacionadas ao ambiente de trabalho.
Entre os principais temas abordados com mais frequência pelos presentes, estavam a necessidade de um ambiente (físico e psicológico) que previna doenças, as medidas que o trabalhador deve tomar quando diagnosticado, o retorno ou afastamento das atividades e ainda os efeitos da reforma previdenciária sobre os profissionais afastados das atividades por conta de doenças decorrentes do trabalho. Os assuntos de suma importância foram tratados pela médica do trabalho Cesat Suerda Fortaleza, a psicóloga Tereza Cristina e a advogada trabalhista Ângela Mascarenhas.

Para o presidente da Feebbase, Hermelino Neto, este debate é mais que necessário, já que o tema saúde é extremamente importante para os trabalhadores, mas é negligenciado pelos patrões. “Por isso, a entidade se coloca na linha de frente, para levar as informações necessárias aos trabalhadores”, afirmou Neto.
São casos como Vilma Lima¸ bancária há 29 anos, que relembrou a sua trajetória profissional, que culminou no adoecimento e afastamento do trabalho. “No período em que iniciei, era tudo manual. Não tinha nada automático ou eletrônico, como é atualmente.” Em 2014, a bancária foi diagnostica com Lesão por Esforço Repetitivo (LER). “De lá para cá, fiz tratamentos fisioterapêuticos como RPG e acupuntura, mas nada disto adiantou. Em 2018 fiz cirurgia do túnel do carpo, que é um paliativo, porque quando a doença é detectada, você não fica curada”. Ainda segundo Lima, o retorno às atividades penaliza o trabalhador. “Existe um processo de readaptação na empresa, mas passando este período, a gente volta a realizar todo o serviço novamente, daí continua a lesão. Ficamos infinitamente lesionadas, danificadas e ainda mal vistas pelos nossos colegas e gestores, que não passaram por isso e agem com sarcasmo. Não é apenas a doença da lesão, tem a psicológica também”, lamenta.

Várias frentes
Hoje, além dos diagnósticos mais comuns, como LER e DORT, relacionadas à repetição movimentos, há um aumento contínuo de outras doenças relacionadas às atividades profissionais. As pessoas estão sendo ainda acometidas por doenças mentais. Um dos motivos, segundo a médica Suerda Fortaleza é que “o mobiliário mudou, mas o assédio para que o funcionário bata as metas, por exemplo, está cada vez mais forte”.
Por isso, a psicóloga Tereza Cristina ressaltou a importância do pensamento coletivo. “É preciso prestar atenção ao ser humano. Devemos ter cuidado conosco e com quem está a nossa volta. Todos somos agentes multiplicadores da saúde”, reitera.
Nas questões jurídicas, a advogada Ângela Mascarenhas tirou dúvidas sobre ações envolvendo doenças ocupacionais, explicou algumas mudanças propostas pela reforma da Previdência quanto a questões da saúde do trabalhador e reforçou que “é preciso entender que as reformas terão um impacto negativo hoje e se estenderá para as próximas gerações”.

Para a diretora de Saúde da Feebbase, Andreia Sabino, o debate foi muito rico e conseguiu atingir as expectativas do público. “Doutora Suerda falou com profundidade sobre o adoecimento dentro dos bancos, os principais motivos de afastamento e como o INSS tem tratado esse problema , a Psicóloga falou de forma muito clara como essas patologias podem até mesmo causar a morte de bancários. Foram exposições muito interessantes e que ajudaram muito no debate”. Afirmou.
O debate contou também com a participação do presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos; do diretor de Saúde, Célio Pereira, e do diretor e psicólogo Reinaldo Martins.
Por Rafael Santos

