Bancários debatem impactos da reforma trabalhista e novas tecnologias nos bancos
Nesta quarta-feira (07), pela manhã, no Encontro Nacional dos Funcionários dos Bancos Privados, foram debatidas as estratégias da Campanha Nacional 2017. O Comando dos Bancários indicou uma pauta de reivindicações que combata demissões, terceirização e reestruturação. “Nada impede que a gente faça um debate e criemos esse tipo de proposta para entregar à Fenaban. Além do mais, temos de usar o período da campanha para ir às ruas e politizar o debate com nossas bases”, afirmou um dos coordenadores do Comando, Roberto von der Osten.

No debate anterior, as economistas Regina Camargos e Catia Uehara, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais (Dieese), mostraram os prejuízos que a reforma trabalhista e as novas tecnologias podem pode causar à categoria bancária. Regina afirmou que o Dieese disponibiliza diversos materiais que tratam dos prejuízos da reforma ao trabalhador. Sobre os impactos na categoria bancária, citou:
1. Remuneração: parcelamento da PLR em três vezes; não incorporação de gratificações devido à ocupação temporária de cargo de chefia/ comissionado; possibilidade de aumento da parcela variável da remuneração, hoje limitada a 50%;
2. Jornada: aumento do limite diário sem necessidade de pagamento de hora-extra; compensação de banco de horas em até seis meses e sem necessidade de acordo formal; possibilidade de adoção da jornada 12hx36h;
3. Formas de contratação precárias: terceirização sem limites; contrato temporário; contrato intermitente; tele trabalho mediante regras informais; PJotização;
4. Estrutura da negociação coletiva: acordos por banco prevalecendo sobre a CCT; negociação individual para quem ganha acima de R$ 11 mil;
5. Parcelamento das férias em três períodos.
Para José Antônio, diretor da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, presente no encontro, a lei de terceirização aprovada no Congresso Nacional e as propostas de reformas do Governo Temer são, na verdade, um desmonte de direitos e garantias trabalhistas consagradas na CLT. “Vivemos um momento de luta de classes intensa. Os trabalhadores precisam se mobilizar para combater a exploração do capital nacional e internacional”, avaliou.
Novas tecnologias – Já Catia Uehara lembrou que os bancários já vêm sofrendo há alguns anos com a implantação do “novo” modelo bancário, que tem a tecnologia como base, traz impactos significativos no número de empregos e no perfil dos trabalhadores.
De 2015 para 2016, houve um aumento de 27% no número de transações bancárias digitais, que representam cerca de 1/3 das transações, chegando a 70% das transações do Itaú e do Santander. Uma pesquisa da Ernest & Young mostra que 15,5% dos clientes bancários já utilizam as novas tecnologias para realizar suas transações bancárias.
Com informações da Contraf

