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Bancários e Fenaban debatem desafios da desigualdade de gênero nos bancos

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O Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) se reuniram nesta segunda-feira (2/3), em Brasília, para mais uma rodada da mesa de negociações permanentes “Igualdade da Mulher Bancária e de Igualdade de Oportunidades”. A implementação de conquistas da categoria pelo fim da violência de gênero e por justiça de entrada e ascensão no setor foram os principais temas debatidos no encontro.

Durante a reunião, a Fenaban apresentou os dados sobre a implementação dos canais de combate à violência doméstica, conforme previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Até o final de 2025, todos os bancos já haviam implementado seus canais. A entidade disse ainda que está em fase final de relatório, que será apresentado aos trabalhadores nos próximos dias, com os números atualizados de atendimentos e como os casos foram encaminhados.

As bancárias usaram a oportunidade do encontro para reforçar, junto aos bancos, um pacto de combate à violência contra a mulher. A categoria também pediu o aprimoramento dos canais de denúncias e apresentou casos em que não funcionaram devidamente, como no apoio às bancárias que solicitaram transferência de unidade e mudanças de regime de horário.

Números do “Basta!”

O movimento sindical apresentou o relatório mais recente do programa de assessoria jurídica e humanizada às mulheres vítimas de violência doméstica “Basta! Não irão nos calar!”.

Até o momento, são 14 canais de atendimento (e mais 1 em implantação) em sindicatos localizados em todas as regiões do país; 542 atendimentos, sendo 540 de mulheres vítimas de violência física, psicológica, patrimonial, moral e sexual; 121 atendimentos sem ações judiciais; 518 ações judiciais; 313 medidas protetivas vigentes; e 194 ações relacionadas ao direito de família sendo 116 concluídas.

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4º Censo da Diversidade

Outra conquista da categoria bancária na última campanha nacional foi o 4º Censo da Diversidade, realizado em 2025, e que teve os dados apresentados pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) na reunião.

A pesquisa teve a participação de mais de 93 mil bancários e bancárias de 35 bancos. O setor permanece majoritariamente masculino, com maior redução entre mulheres brancas. Porém, ocorreu um importante avanço no aumento de pessoas negras. No 1º Censo da Diversidade, realizado em 2008, negros e negras compunham 19% do quadro de trabalhadores. O levantamento mais recente mostrou que agora o grupo responde por cerca de 33%.

A categoria bancária avalia que essa expansão de negros e negras foi resposta a reivindicação para que os bancos passassem a fazer anúncios de vagas, massivamente pela internet.

Reunião importante

Para a presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase), Andréia Sabino, a reunião foi extremamente estratégica e muito importante para falar sobre a desigualdade e saber exatamente onde ela acontece, com quem acontece. “Mas, a gente precisa sair do discurso, a gente tem números suficientes para comprovar que essa desigualdade é real e é muito perto da gente. Tem um censo que foi apresentado pela Fenaban e onde tudo fica muito claro. Com esses dados, a Fenaban não teve o que discutir. Então, foi uma mesa interessante, diferente, porque não houve discussão, não houve divergência, os números são claros e eles representam exatamente a situação”.

“A desigualdade está na diferença salarial, na falta de oportunidades para as mulheres em cargos de liderança e está muito claro que para mulher negra, essa desigualdade consegue ser ainda maior. Então foi uma negociação muito diferente das demais, porque não houve nenhuma divergência. A Fenaban estava ali com um retrato muito fidedigno da situação, então não houve discussão. Precisamos discutir agora o que nós vamos fazer com esses números para a gente começar a transformar isso em resultados”, acrescentou Andréia.

Os bancos pediram até o dia 31 de março, para dar um retorno sobre os temas da mesa de negociação. Até o final da mês haverá uma nova reunião para que eles apresentem as medidas que serão adotadas para combater essa desigualdade.

Participaram também da negociação, o presidente do Sindicato de Sergipe, Adilson Azevedo; o presidente do Sindicato da Bahia, Elder Perez, e a diretora de Gênero Martha Regina.

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