Federação participa de Ato em Defesa da Caixa 100% Pública
Nesta quarta-feira (25), aconteceu o Ato em Defesa da Caixa 100% Pública, na Câmara dos Deputados, com debates e apresentações sobre a situação do banco, além da definição de estratégias contra qualquer tentativa de abertura de capital. Presentes no evento, parlamentares, representantes das centrais sindicais, federações, sindicatos, movimentos sociais e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Os presidentes da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Emanoel Souza, e do Sindicato da Bahia, Augusto Vasconcelos, participaram dos debates.

Pela manhã, houve manifestações de dirigentes sindicais e parlamentares, como os deputados federais do PCdoB da Bahia, Daniel Almeida e Davidson Magalhães, que foram os primeiros signatários da proposta de criação da Frente Parlamentar em Defesa da Caixa. Daniel Almeida discursou em apoio à manifestação dos sindicalistas "que tem lutado, há 150 anos, em defesa do papel dessa instituição e sempre recebeu apoio da sociedade e do Parlamento, que sabe da importância da Caixa para o desenvolvimento do nosso país."

Já Davidson Magalhães destacou o importante papel da Caixa no desenvolvimento do país, seja pela capilaridade no território brasileiro, com quatro mil agências em locais de difícil acesso, seja pelos programas sociais como o pagamento do Bolsa-Família, o Minha Casa, Minha Vida entre muitos outros.
O presidente da Federação dos Bancários, Emanoel Souza, que participou do evento, confirmou a fala dos parlamentares. Ele denunciou que "a abertura do capital tem por objetivo retirar do Estado o principal instrumento que possibilita atuar no mercado financeiro".

À tarde, os trabalhos foram iniciados com uma manifestação de repúdio ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Casa, pela demora na definição do local do evento, apesar do pedido ter sido feito com antecedência de mais de um mês pela deputada Érika Kokay (PT-DF), comportamento visto como um "boicote". Inicialmente, o ato estava marcado para o Auditório Nereu Ramos (o maior da Câmara), mas um dia antes de sua realização foi transferido para o apertado Auditório Freitas Nobre, no Anexo IV.
No debate, o técnico da subseção do Dieese na Fenae Felipe Miranda traçou um panorama geral sobre a situação da Caixa Econômica Federal e de seu papel social. Ele afirmou que o DNA do banco é de volta às origens, dado que a instituição cobre interesses das classes sociais de baixa renda e dos trabalhadores, com destaque para o FGTS. "Isto torna a empresa completamente diferente das demais instituições, cujo foco é a obtenção de lucro com o menor custo possível", ressaltou.
Ele lembrou que a Caixa possui a maior base de clientes do país: são aproximadamente 78,5 milhões, estando presente em 100% dos municípios. Afirmou também que, das cinco maiores empresas estatais do Brasil, o banco apresenta a maior média percentual de distribuição de dividendos do Tesouro Nacional nos últimos 10 anos, não havendo qualquer necessidade de abertura do capital para gerar recursos à União.
Comitê - A CTB, Contraf, Fenae, CUT, Intersindical e CSP-Conlutas criaram um comitê em defesa da manutenção da Caixa 100% pública. A ideia é unificar e fortalecer as ações contra a proposta de abertura de capital do banco. Essa foi uma das deliberações do Ato em Defesa da Caixa 100% Pública.
A coordenação do Comitê em Defesa da Caixa 100% pública já agendou a primeira reunião. Será no próximo dia 6 de março, com a participação de representantes da Contraf, Fenae e das quatro centrais sindicais. O objetivo é debater e elaborar um calendário com novas mobilizações, no sentido de unificar e fortalecer o movimento.
Manifesto - Ao final do evento na Câmara, foi aclamado o manifesto "A Caixa não se vende". O texto, assinado por Contraf, Fenae, CUT, CTB, Intersindical e CSP-Conlutas, destaca que "os clientes depositam nessa instituição secular suas esperanças e seus sonhos" e que "só a Caixa 100% pública pode ser uma ferramenta para o Estado brasileiro atuar no mercado financeiro no sentido da diminuição dos juros e do spread bancário".
O manifesto diz ainda: "Vender o patrimônio do povo brasileiro para fazer superávit primário para pagar juros ao sistema financeiro é um filme que já vimos. Sabemos onde vai dar esse caminho equivocado: demissão, arrocho e, por fim, privatização, como ocorreu com os bancos estaduais no passado, sem que isso representasse uma solução duradoura para o Estado brasileiro".
E finaliza: "A inclusão social, o acesso à moradia, o planejamento urbano, enfim, todos esses valores que conferem dignidade ao povo brasileiro e que são a razão de ser da Caixa são valores inegociáveis. A Caixa é do povo. A Caixa não se vende".
Fonte: Contraf/Fenae/Vermelho

