Funcionários do BB cobram avanços em inclusão e igualdade

A Comissão de Empresa dos Funcionários (CEBB) se reuniu com a direção do Banco do Brasil nesta sexta-feira (17/7), em São Paulo, na segunda rodada de negociação específica da campanha nacional 2026, visando a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do banco. O encontro deu início aos debates da pauta de diversidade.
Na mesa, a representação dos trabalhadores defendeu ações voltadas à valorização e à ascensão profissional da população LGBTQIAPN+, melhorias na acessibilidade e na estrutura das unidades para Pessoas com Deficiência (PCDs) e neurodivergentes, garantindo acolhimento, pertencimento e condições adequadas de trabalho.
Um dos primeiros temas abordados foram os direitos das pessoas com deficiência (PcDs), com a apresentação de proposta para ampliar a acessibilidade, promover a inclusão e garantir igualdade de oportunidades no ambiente de trabalho, deste segmento.
Entre as reivindicações apresentadas está a cumulatividade dos benefícios destinados às pessoas com deficiência com o auxílio-creche/babá, a concessão de licença de até 15 dias por ano para acompanhamento de dependentes com deficiência, sem limite de idade, em consultas e tratamentos médico-odontológicos, a realização de um Censo da Pessoa com Deficiência no BB para identificar esse público e suas necessidades, a ampliação das possibilidades de teletrabalho para PcDs que necessitem dessa modalidade e que haja o acompanhamento para garantir a adaptação dos trabalhadores. Outra reivindicação é o abono das horas necessárias para tratamentos, terapias, consultas médicas.
Mulheres e diversidade
Os representantes dos trabalhadores cobraram também medidas para incentivar a participação feminina na área de Tecnologia, segmento que vem crescendo no banco, mas que ainda conta com baixa representatividade. A iniciativa busca ampliar as oportunidades de acesso e desenvolvimento profissional, criando um ambiente mais acolhedor e estimulando que mais mulheres ocupem esses espaços.
A pauta também contempla a ampliação da proteção às mulheres em situação de violência doméstica, com a garantia de afastamento de até seis meses, sem necessidade de encaminhamento ao INSS e com preservação do cargo no retorno ao trabalho. Os dirigentes também pediram que mulheres vítimas de violência que estejam afastadas do trabalho e tenham garantia de permanência no cargo por, pelo menos, um ano.
Outro ponto defendido pelas entidades é a criação de licença parental para cada pessoa de referência da criança ou do adolescente, limitada a duas pessoas, sem prejuízo do emprego ou da remuneração, garantindo condições para o exercício da parentalidade. Também foi reivindicada a equiparação da união estável ao casamento para fins de concessão dos benefícios previstos no acordo coletivo.
O banco recebeu as reivindicações apresentadas pelas entidades e informou que avaliará as propostas antes de apresentar uma resposta. A direção também afirmou que trabalha com a meta de alcançar a paridade de gênero nos cargos de liderança até 2030. Segundo os dados apresentados na mesa, as mulheres já representam 50% do Conselho de Administração, 44% do Conselho Diretor e 25% da Diretoria Executiva. Além disso, o banco destacou que vem promovendo programas de desenvolvimento para ampliar a participação feminina em áreas estratégicas, como Tecnologia.
Endividamento e monitoramento
Outro tema apresentado pela representação dos funcionários foi a criação de uma alternativa efetiva para a renegociação de dívidas dos empregados junto ao BB. A proposta prevê uma linha de crédito específica destinada a funcionários com dívidas, inadimplidas ou não, cujas prestações mensais ultrapassem 30% do salário bruto.
As entidades defendem que a linha tenha condições semelhantes às praticadas na primeira faixa do programa Minha Casa, Minha Vida, com juros em torno de 4,5% ao ano, além de carência de 90 a 120 dias para o início do pagamento, podendo ser reduzida mediante solicitação do trabalhador. A proposta também prevê a possibilidade de abatimento do valor total da dívida, quando necessário, para adequar a renegociação à capacidade de pagamento do funcionário, permitindo que ele regularize sua situação financeira sem comprometer sua renda.
A direção do banco informou que também está preocupada com a situação de endividamento dos funcionários e afirmou que estuda alternativas para enfrentar o problema.
A CEBB cobrou ainda melhoria das condições de trabalho, com destaque para a revisão dos mecanismos de monitoramento da produtividade. As entidades reivindicaram a extinção do controle individual do tempo de atendimento e dos atuais instrumentos de acompanhamento individual da produtividade.
Mais uma vez, o Banco do Brasil ouviu as reivindicações, registrou as propostas e assumiu o compromisso de analisá-las, apresentando devolutivas nas próximas rodadas de negociação.
“Nós cobramos maior agilidade nessas respostas para evitar o acúmulo de pendências no final da campanha, lembrando que ainda são aguardadas devolutivas da primeira mesa de negociação”, informou o presidente do Sindicato de Jequié, Fabiano Miranda, que representou a Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe na reunião.
“Seguimos firmes na defesa de um Banco do Brasil cada vez mais inclusivo, igualitário e comprometido com a valorização de todos os seus trabalhadores e trabalhadoras”, acrescentou Fabiano Miranda.

