Inclusão para além das cotas em debate no Encontro Vozes que Transformam

O Encontro Vozes que Transformam reuniu bancários e ativistas no sábado (25/4), no Hotel Portobello, em Salvador, para debater desafios de mulheres, pessoas com deficiência (PcD) e LGBTQIAPN+ no mercado financeiro. Após a abertura com Sara Gama Sampaio, Tiago Azeviche e Dimitri Sales, a programação focou na mesa "Inclusão para além das cotas".
Silvanete Brandão, presidente da Associação Baiana de Deficientes Físicos (ABADEF), conduziu o debate destacando que 70% das empresas ainda hesitam em contratar pessoas com deficiência. Segundo ela, a maioria das empresas inviabiliza a contratação das pessoas com deficiência por falta de tecnologias assistivas e acessibilidade.
"Se não existe acessibilidade, não existe inclusão. Quando a gente começa a entender que a inclusão está para todas as pessoas e não só para um grupo específico, a gente começa a fazer a virada da chave e começa a entender que inclusão e acessibilidade é para toda a sociedade.", afirmou Silvanete, ressaltando que empresas frequentemente alegam não ter condições de implementar acessibilidade, quando na verdade precisam criá-la. Ela enfatizou que acessibilidade beneficia toda a sociedade, não apenas pessoas com deficiência.
A discussão abordou a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Lei de Cotas, mas o foco foi em ações concretas. Uma empresa inclusiva deve, por exemplo, promover acessibilidade universal; acompanhar colaboradores com deficiência em sua adaptação e interação com colegas; alocar pessoas com deficiência em todos os setores, evitando segregação e garantir igualdade de oportunidades independentemente da lei.
A palestra abordou também formas incorretas de comunicação com pessoas com deficiência. Reafirmando que o capacitismo é crime, conforme a Lei Brasileira de Inclusão, e que atitudes preconceituosas podem e devem ser punidas.
Silvanete destacou ainda a importância de conhecer símbolos de acessibilidade (bengalas brancas para cegos, verdes para baixa visão, vermelhas para surdocegos) e cordões especiais, reforçando que equidade e respeito são a base para evitar capacitismo.

Presente no encontro, o secretário da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, ressaltou a importância do encontro, destacando que a categoria bancária foi pioneira em conquistas como união homoafetiva em planos de saúde, licença-maternidade de seis meses e redução de jornada para famílias atípicas, demonstrando que a luta por inclusão transcende grupos específicos e beneficia toda a sociedade.
“Fomos a primeira categoria no Brasil que conquistou essas inovações. Outras vieram depois, algumas dessas conquistas viraram lei, mas a categoria bancária, pelo seu pioneirismo, coragem e organização, alcançou vitórias importantes. É bom mencionarmos isso, porque esses passos que demos ao longo dos anos nos estimulam a conquistar mais.”, disse Augusto.

O encontro continua durante a tarde com o 9º Encontro das Bancárias da Bahia e Sergipe e o 3º Encontro Diversidade Bancária LGBTQIAPN+ da Bahia e Sergipe.

