Encontro do Santander define prioridades para a campanha nacional
Debates sobre conjuntura política, os impactos da reestruturação do banco e a aprovação de novas reivindicações marcaram o Encontro Nacional dos Funcionários do Santander, realizado nesta sexta-feira (19/6), Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, em São Paulo. O evento reuniu 75 bancários e bancárias de todo o Brasil, sendo 9 da Bahia e Sergipe.

A abertura oficial do encontro contou com a saudação das correntes sindicais e entidades representativas. A primeira mesa de debates trouxe uma análise da conjuntura política, econômica e social e seus reflexos para a categoria bancária, com a participação da vereadora paulistana Luna Zarattini (PT).
Durante sua exposição, Luna também criticou a lógica de austeridade fiscal e defendeu que o orçamento público seja direcionado para investimentos em áreas sociais, como saúde, educação, habitação e programas de distribuição de renda. Para ela, a ampliação dos direitos sociais e trabalhistas exige maior participação popular e enfrentamento das políticas que privilegiam grandes corporações.
Lucros, reestruturação e impactos
Na sequência, técnicas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Rosângela Vieira e Paula Reisdorf apresentaram uma análise sobre o desempenho do Santander e as transformações em curso no modelo de negócios da instituição. Os estudos apontaram que mesmo em um cenário econômico de crescimento moderado e juros elevados, o banco tem mantido elevados níveis de rentabilidade ao mesmo tempo em que acelera a digitalização, fecha unidades físicas e reduz postos de trabalho.
Segundo Rosângela Vieira, embora o Santander tenha registrado lucro líquido recorrente de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, a estratégia adotada pela instituição está baseada em um modelo mais seletivo e automatizado, voltado aos clientes de alta renda e sustentado por uma forte redução de custos. A instituição encerrou, somente em 2025, 323 agências e 256 postos de atendimento, além de reduzir em 10% o número de empregados efetivos, enquanto ampliou em 11% o contingente de terceirizados.
Paula Reisdorf chamou a atenção para a mudança estrutural ocorrida no grupo Santander ao longo da última década. Segundo ela, a instituição promoveu uma verdadeira “desbancarização” da força de trabalho, transferindo atividades para subsidiárias e empresas controladas que não estão enquadradas na categoria bancária. “Em 2015, cerca de 90% dos trabalhadores do grupo eram bancários. Hoje, essa proporção caiu para aproximadamente 50%. O banco criou ou adquiriu dezenas de empresas e deslocou uma parcela importante das atividades para estruturas com custos menores e direitos reduzidos”, explicou.
Paula também ressaltou que o Santander lidera o fechamento de unidades físicas entre os países em que atua. Entre 2019 e o primeiro trimestre de 2026, a instituição encerrou 63% das suas agências no Brasil. Após um período de expansão entre 2020 e 2024, o banco eliminou quase seis mil postos de trabalho em 2025 e outros 554 apenas nos primeiros meses deste ano. “Os números mostram um modelo de negócios cada vez mais enxuto, automatizado e dependente da terceirização. A questão que se coloca é quais serão os limites desse processo e quais os impactos sobre os trabalhadores e sobre o atendimento à população”, concluiu.

Delegação Bahia e Sergipe no Encontro do Santander
Pauta e prioridades da campanha
No período da tarde, os participantes se dedicaram à discussão e consolidação das propostas que irão compor a minuta específica de reivindicações dos trabalhadores do Santander, que será entregue ao banco na segunda-feira (21/6). Também foram definidos os encaminhamentos e as estratégias que orientarão a Campanha Nacional dos Bancários 2026.
O plano de lutas aprovado inclui ações em defesa do emprego, por mais agências físicas, pelo fim da terceirização, valorização do Programa Próprio de Resultados do Santander (PPRS), por saúde e melhores condições de trabalho.

