Funcionários cobram avanços em saúde e condições de trabalho

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) e a direção do Santander se reuniram na manhã desta terça-feira (28/7), em São Paulo, para a terceira rodada de negociação da pauta específica da Campanha Nacional 2026. O encontro teve como foco principal o tema saúde, considerado um dos eixos prioritários da pauta de reivindicações apresentada pelos trabalhadores.
Antes do início das discussões, a representação dos empregados cobrou as devolutivas dos temas tratados nas reuniões anteriores. Em resposta, o Santander apresentou informações sobre o programa de bolsas de estudo, informando que 90% das 2.500 bolsas oferecidas já estão sendo utilizadas e que a distribuição entre homens e mulheres é equilibrada. Segundo o banco, a maior parte dos beneficiários está matriculada em cursos de pós-graduação e 5% das bolsas já são ocupadas por pessoas com deficiência (PCDs).
Cláusulas sociais
Na sequência, as partes retomaram o debate sobre cláusulas sociais que não puderam ser concluídas na rodada de negociação realizada na última reunião. Entre elas, foi discutida a proposta de criação de um programa permanente de capacitação em tecnologia voltado prioritariamente para mulheres (cis e trans) e pessoas transgênero.
A reivindicação prevê que o Santander ofereça bolsas integrais ou parciais para cursos nas áreas de programação, desenvolvimento de sistemas, ciência de dados, inteligência artificial e outras áreas correlatas, além de adotar políticas que incentivem a contratação e a movimentação interna dessas profissionais para vagas na área de tecnologia, contribuindo para reduzir a desigualdade de gênero e ampliar a diversidade no setor.
Em resposta, o banco informou que estuda a possibilidade de incluir os cursos de tecnologia na cláusula que já prevê a concessão de bolsas de estudo aos empregados.
Outra reivindicação apresentada pela COE trata do fornecimento de telefone celular corporativo a todos os empregados que atuam em atividades externas, a exemplo do BB1, com linha telefônica e pacote de dados suficientes para garantir a conexão compartilhada (Wi-Fi) com equipamentos de trabalho, como notebooks e tablets.
A COE lembrou que o artigo 2º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que os riscos da atividade econômica são de responsabilidade da empresa. Com base nesse entendimento jurídico consolidado, as instituições financeiras devem fornecer os meios necessários para a execução das atividades externas, incluindo aparelhos celulares corporativos, chips e planos de dados. Caso o empregado seja obrigado a utilizar seu telefone particular para o trabalho, o banco deve ressarcir as despesas com ligações, internet e o desgaste do equipamento pessoal.
Saúde
Na pauta da saúde, entre as principais reivindicações apresentadas pela COE estão a manutenção da assistência médica aos aposentados nas mesmas condições vigentes durante o contrato de trabalho, evitando que o custo do plano passe a ser integralmente arcado pelo ex-empregado após a aposentadoria, e a definição de limites para os custos das mensalidades e da coparticipação, de forma que os valores sejam compatíveis com a remuneração dos trabalhadores.
Os representantes dos trabalhadores também relataram as dificuldades enfrentadas por bancárias e bancários em diversas regiões do país para conseguir atendimento pelo plano de saúde, especialmente em relação à oferta de médicos especialistas e à realização de exames. Diante desse cenário, a COE reivindicou que os empregados possam escolher entre as duas operadoras de saúde já contratadas pelo Santander, de acordo com a disponibilidade de atendimento em sua região. Em resposta, o banco informou que, neste momento, a migração entre os planos não é possível por questões técnicas e contratuais.
Os representantes dos trabalhadores também defenderam a criação de licença menstrual para empregadas que enfrentam dores severas, mediante a apresentação de relatório médico. Sobre a proposta, o Santander reconheceu a importância do tema, mas afirmou que não é possível incluí-la como cláusula do acordo específico, comprometendo-se apenas a orientar os gestores para que avaliem cada caso.
A pauta também contempla medidas voltadas à prevenção do adoecimento, como a realização de análises ergonômicas dos postos de trabalho, a criação de um grupo paritário para discutir saúde e segurança, o fortalecimento das ações de combate ao assédio moral e às metas abusivas, a ampliação das políticas de proteção à saúde mental e o atendimento às vítimas de violência no ambiente de trabalho, nos moldes do acordo já existente para os trabalhadores do Santander na Espanha.
Outro destaque é a regulamentação do direito à desconexão digital, garantindo que os bancários não sejam acionados fora da jornada de trabalho, salvo em situações excepcionais previstas em acordo, também inspirado no modelo adotado pelo banco na Espanha.
Sobre esses dois últimos temas, o Santander informou que eles estão sendo debatidos na mesa de negociação da Fenaban e, por isso, não serão tratados na negociação específica.
Para o representante dos bancários da Bahia e Sergipe na COE, Adelmo Andrade, a negociação segue difícil, com pouca abertura do banco para avançar nas reivindicações. Segundo ele, "o Santander mantém resistência, especialmente nas demandas relacionadas ao plano de saúde”, ressaltou o diretor do Sindicato da Bahia.
As negociações da pauta específica do Santander terão continuidade no próximo dia 12 de agosto e os representantes dos funcionários esperam que o banco apresente propostas concretas para as demandas apresentadas.

