Adoecimento mental cresce entre os bancários
As mudanças nas atividades bancárias nas últimas décadas, resultou também em modificações no perfil de adoecimento da categoria. Se antes, as lesões por esforços repetitivos (LERs) eram o principal problema, hoje o que mais causa afastamento no setor são as doenças mentais. Elas são frutos da incorporação de novas ferramentas de gestão, a forte pressão para atingir resultados, o aumento do controle, o prolongamento da jornada e o aumento da competitividade.
Doenças por transtornos mentais como estresse, síndrome do pânico, esquizofrenia e depressão, dificilmente reconhecidas como relacionadas ao trabalho, acabam, muitas vezes em demissão do trabalhador. Todavia, os transtornos mentais e comportamentais são a principal causa dos afastamentos previdenciários entre os bancários desde 2013, sendo responsáveis por 43% dos afastamentos previdenciários em 2020 e chegando a 40% do total em 2022. Em 2012, representavam apenas 23% do total de afastamentos previdenciários.
Por sua vez, a incidência das doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo entre os bancários seguem em queda, passando de 49% em 2013, para 21% em 2022, demonstrando que, de fato, as lesões por esforço repetitivo não são mais tão marcantes para a categoria e, sim, o desgaste mental diante da pressão exercida por meio de cobranças excessivas por metas e resultados, além de várias denúncias de assédio.
Os afastamentos acidentários devidos aos transtornos mentais e comportamentais, assim como nos afastamentos previdenciários, tornaram-se a principal causa dos afastamentos, em um crescimento contínuo desde 2017, saindo de 30% para 57% em 2022 (representando 25%, ou seja, um quarto do total dos afastamentos acidentários no país por essas doenças). Em 2012, esses afastamentos na categoria bancária representavam 12% do total.

