Bradesco descumpre acordo e continua demitindo em Camaçari
Mesmo após prometer ao Sindicato dos Bancários de Camaçari (Sindban) que não haveria demissões com encerramento da agência 3579, na avenida Radial A, o Bradesco segue demitindo. Na última semana, mais um trabalhador foi desligado da única agência remanescente no município, agravando a precarização do atendimento e as condições de trabalho. Era um bancário com mais de 30 anos de banco e uma vida dedicada a instituição.

A única agência do Bradesco em Camaçari atende uma população superior a 300 mil habitantes e permanece constantemente lotada. Clientes enfrentam longas filas e demora no atendimento, enquanto os funcionários convivem com sobrecarga intensa, pressão por metas e adoecimento físico e emocional.
Desmonte da rede
O cenário local reflete uma política nacional de reestruturação adotada pelo banco. Em 2024, o Bradesco registrou lucro líquido recorrente de cerca de R$ 19,6 bilhões, crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Mesmo com resultados expressivos, a instituição reduziu aproximadamente 2,2 mil postos de trabalho no período e fechou centenas de unidades de atendimento em todo o país.
Nos últimos anos, o processo de fechamento de agências e redução do quadro funcional tem aumentado a quantidade de clientes por empregado, intensificando a sobrecarga e contribuindo para o adoecimento dos bancários, além de piorar a qualidade dos serviços prestados à população.

O Sindban já havia paralisado a agência em dezembro de 2025, para denunciar o caos no atendimento e a sobrecarga dos funcionários. Apesar dos avisos, o banco segue demitindo e piorando a situação.
Segundo presidenta do Sindban, Thaise Mascarenhas, a combinação entre lucros bilionários, demissões e redução da estrutura de atendimento demonstra uma estratégia de corte de custos que transfere o peso da reestruturação para trabalhadores e clientes. Enquanto isso, em Camaçari, a realidade é de atendimento caótico, pressão constante e riscos à saúde dos funcionários que permanecem na linha de frente.
“Enquanto o Bradesco divulga lucros recordes, o cenário enfrentado por trabalhadores e clientes é preocupante. Essa realidade decorre da política de fechamento de agências, das demissões em massa que atingem inclusive empregados em tratamento de saúde — e da retirada de dispositivos de segurança, como portas giratórias e vigilantes em diversas unidades”, denuncia Malu Silva, dirigente do Sindban e funcionária do Bradesco.

