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Cerca de 385 milhões de crianças vivem na pobreza extrema

De acordo com uma análise feita pelo Grupo Mundial e pelo UNICEF, as crianças tem o dobro de chance de viver em extrema pobreza do que os adultos. A pesquisa indica que em 2013, 19,5% das crianças nos países em desenvolvimento viviam em famílias com renda média de US$ 1,9 ou menos por dia por pessoa, enquanto que os adultos representavam 9,2% nessa mesma situação. Globalmente, quase 385 milhões de crianças viviam em extrema pobreza.

O relatório revela, ainda, que até em parâmetros um pouco mais altos a pobreza também afeta crianças de uma forma desproporcional. Cerca de 45% delas vivem em famílias com renda menor do que US$ 3,1 por dia por pessoa, enquanto 27% dos adultos vivem na mesma situação. A estimativa global da pobreza infantil extrema é baseada em dados de 89 países, e representa 83% da população dos países em desenvolvimento.

"O enorme número de crianças vivendo em extrema pobreza aponta para uma necessidade real de se investir, especificamente, nos primeiros anos de vida, em serviços como pré-natal para mães grávidas, programas de desenvolvimento infantil, ensino de qualidade, água potável, saneamento básico e atendimento universal de saúde", disse Ana Revenga, diretora sênior de Pobreza e Equidade do Grupo Banco Mundial. "Melhorar esses serviços e garantir que as crianças de hoje tenham acesso a boas oportunidades de emprego no futuro é a única maneira de quebrar o ciclo de pobreza intergeracional tão generalizado atualmente".

A situação no Brasil

Embora o Brasil tenha feito grandes progressos em relação à sua população mais jovem, os avanços não atingiram todas as crianças e todos os adolescentes da mesma forma. O país ainda é um dos lugares mais desiguais do mundo. Por exemplo, enquanto 37% das crianças e dos adolescentes brancos viviam na pobreza em 2010, esse percentual se ampliava para 61% entre os negros e pardos.

De 1990 a 2013, o percentual de crianças com idade escolar obrigatória fora da escola caiu 64%, passando de 19,6% para 7% (Pnad). No entanto, mesmo com tantos avanços, mais de 3 milhões de meninos e meninas ainda estão fora da escola. Essa exclusão escolar tem rosto e endereço: quem está fora da escola são pobres, negros, indígenas e quilombolas. Uma parcela tem algum tipo de deficiência e a outra grande parte vive nas periferias dos grandes centros urbanos, no Semiárido, na Amazônia e na zona rural. Muito deixam a escola para trabalhar e contribuir com a renda familiar (Pnad 2013).

Para o UNICEF, a face mais trágica das violações de direitos que afetam meninos e meninas no Brasil são os homicídios de adolescentes. De 1990 a 2014, o número de homicídios de brasileiros de até 19 anos mais que dobrou: passou de 5 mil para 11,1 mil casos ao ano (Datasus, 2014). Isso significa que, em 2014, a cada dia, 30 crianças e adolescentes foram assassinados*.

Esse cenário perturbador coloca o Brasil em segundo lugar no ranking dos países com maior número de assassinatos de meninos e meninas de até 19 anos, atrás apenas da Nigéria (Hidden in Plain Sight, UNICEF, 2014).

O Brasil tem uma das legislações mais avançadas do mundo no que diz respeito à proteção da infância e da adolescência. No entanto, é necessário adotar políticas públicas capazes de combater e superar as desigualdades geográficas, sociais e étnicas do País e celebrar a riqueza de sua diversidade.

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