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Encontro do Itaú define reivindicações específicas para 2026

O Encontro Nacional dos Funcionários do Itaú Unibanco reuniu bancários e bancárias de todas as partes do país nesta sexta-feira (19/6), em São Paulo, para debater a conjuntura política e econômica, os impactos da Inteligência Artificial (IA) sobre o emprego, o andamento das negociações com o banco e as propostas específicas para a Campanha salarial 2026. O evento contou com 88 delegados e delegadas, além de 20 convidados, sendo 9 participantes da Bahia e Sergipe.

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Na primeira mesa do Encontro Nacional, a presidenta do Instituto Lula e ex-presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, iniciou sua análise de conjuntura ressaltando a importância da Campanha Nacional dos Bancários. No entanto, destacou que, em 2026, a missão da categoria ultrapassa a defesa de suas pautas específicas.“Nós sabemos que defender os nossos direitos passa por defender a democracia no Brasil e garantir a eleição de um governo democrático que esteja ao lado dos trabalhadores”, afirmou.

Lucros e redução da rede

A segunda mesa teve início com a apresentação da economista do Dieese e assessora da COE/Itaú nas negociações com o banco, Cátia Uehara, que analisou os resultados de 2025 e do primeiro trimestre de 2026. Segundo a economista, os cinco maiores bancos em operação no Brasil registraram, juntos, lucro próximo de R$ 124 bilhões em 2025. Nesse cenário, o Itaú se destacou ao alcançar lucro recorde de R$ 46,8 bilhões, crescimento de 13,1% em relação ao ano anterior. Nos três primeiros meses de 2026, o banco já acumula lucro de R$ 12,2 bilhões.

Ao abordar a evolução dos postos de trabalho e da rede física, Cátia ressaltou que o sistema financeiro vem reduzindo sua estrutura sem comprometer a lucratividade. Somente a holding Itaú extinguiu 3.535 postos de trabalho entre 2024 e 2025, encerrando dezembro de 2025 com um quadro de 82.693 trabalhadores.

A economista também destacou que o Itaú fechou 2.439 agências em dez anos e que a instituição mantém mais de 700 iniciativas de Inteligência Artificial generativa em desenvolvimento. “Os processos implementados até o momento já geraram a redução de 300 mil horas de trabalho pelos agentes de IA”, observou.

Negociações e prioridades da campanha

A terceira mesa do encontro foi dedicada ao andamento das negociações permanentes com o Itaú. A coordenadora da COE Itaú Valeska Pincovai apresentou as principais reivindicações debatidas com o banco, com destaque para o fechamento de agências e os programas de avaliação de desempenho Gera e Evolui. “Em síntese, temos reiterado nas negociações nossas reivindicações por garantia do emprego e pelo fim do fechamento de agências; por mais saúde mental e pelo combate às metas abusivas e ao assédio moral; além de condições dignas de trabalho, transparência e valorização dos trabalhadores”, resumiu.

Valeska também apresentou os avanços garantidos no Acordo Coletivo de Trabalho renovado em janeiro de 2026 e os resultados obtidos pela Comissão de Conciliação Voluntária após as demissões em massa ocorridas em 2025.

Saúde, Gera e os grupos de trabalho específicos

Na sequência, foram apresentados informes sobre o andamento dos grupos de trabalho específicos. A coordenadora do GT de Saúde, Rosângela Lorenzetti, fez um balanço das discussões e dos encaminhamentos em curso, enquanto os representantes da COE atualizaram os participantes sobre as negociações relacionadas ao programa Gera e aos demais temas em debate permanente com o banco.

As discussões reforçaram a importância da mesa de negociação permanente e da mobilização dos trabalhadores para enfrentar os desafios colocados pela reestruturação do banco, pelo avanço da Inteligência Artificial e pela necessidade de garantir emprego, saúde e melhores condições de trabalho para todos os funcionários do Itaú.

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Contribuições da Bahia e Sergipe

Os delegados e delegadas da Bahia e Sergipe levaram contribuições importantes para o Encontro Nacional do Itaú. Denunciaram o que vem ocorrendo com os bancários adoecidos e reforçaram a necessidade do banco rever o fluxo e ajustar os prazos que não têm sido razoáveis para as pessoas que voltam do INSS e que ainda tem pendência de resultados. Também reforçaram a reivindicação para que o banco volte a subsidiar o plano de saúde dos aposentados.

Destacaram ainda a necessidade do banco ser mais transparente com relação à reestruturação que está em curso e sobre o fechamento das agências. Os bancários defendem que é preciso redimensionar as estruturas das agências remanescentes que estão superlotadas, abarrotadas de clientes sobrecarregando os funcionários. A reivindicação é que haja o redimensionamento tanto das estruturas que não foram fechadas, como também do quadro de funcionários que precisa ser revisto. A Federação e os sindicatos da Bahia e Sergipe estão tomando providências sobre o tema e denunciado o problema aos órgãos fiscalizadores.

Para a diretora da Feebbase e membro da COE Itaú, Luciana Dória, o Encontro foi muito produtivo e aprovou uma pauta riquíssima. “Saímos daqui revigorados com muita esperança, por sentir esse espírito unificado de todos os sindicatos em prol de objetivos comuns e dispostos a lutarem pelos direitos dos trabalhadores. Vamos agora em frente para a Campanha Nacional, levarmos essa minuta ao banco e também lutar pela manutenção dos direitos e ampliação também de novas possibilidades”.

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