Encontro Nacional de Saúde do BB reforça defesa do SUS
O difícil enfrentamento à pandemia da Covid-19, que tirou a vida de mais de 600 mil pessoas no Brasil, expôs a fragilidade dos sistemas de saúde públicos e privados, revelou as desigualdades entre os planos de saúde e reforçou o debate nacional sobre a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e do investimento em ciência, tecnologia e inovação. Esses foram alguns dos pontos discutidos com profundidade no painel “O SUS na pandemia e os desafios da saúde pública e suplementar pós-pandemia”, do Encontro Nacional de Saúde dos Funcionários do Banco do Brasil, realizado sábado (27/11).
O debate aconteceu entre os médicos sanitaristas Gonzalo Vecina Neto, fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) e Lígia Bahia, pesquisadora em saúde pública e professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ. Um dos pontos de acordo entre os dois especialistas é o fato de estar longe do fim da pandemia

SUS e sistema suplementar
Os especialistas afirmaram que não há dúvidas de que a crise sanitária que atingiu o Brasil foi pior por causa de um conjunto de fatores que incluem o desmonte da atenção primária à saúde provocado pelo governo Bolsonaro; a falta de integração entre os sistemas dos Estados e municípios; a drenagem de recursos do setor público para o privado, que também oferece planos de saúde de qualidade duvidosa; além do baixo investimento para a produção de tecnologias próprias na área de saúde.
Para eles, a discussão sobre as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) deve ser retomada. A professora Lígia defendeu que o debate seja baseado na realidade para que as manifestações em defesa do SUS sejam, de fato, eficiente.
O grande aporte de recursos públicos para a iniciativa privada enfrentar a pandemia foi criticado. Também houve críticas por conta do aumento na desigualdade de tratamento entre os pacientes na Saúde Suplementar. Atualmente, 60% da rede hospitalar brasileira é privada. De acordo com os especialistas, a assistência médico-suplementar gastou R$ 4.000,00 per capita em um ano, enquanto o SUS gastou R$ 1.200,00 per capita no ano.
Gonzalo elogiou o Sistema Único de Saúde. Destacou a vacinação, o acompanhamento das doenças, através da vigilância epidemiológica, que dá segurança de tudo que é consumido pelos brasileiros, por meio da vigilância sanitária. Apesar de 23% da população ter planos de saúde, 95% dos transplantes são feitos pelo SUS, além de 95% das hemodiálises e a distribuição de 100% dos medicamentos de alto custo.
Com informações da Contraf

