Sindicalistas debatem novo cenário político na 11ª Plenária da CMS
Dezenas de sindicalistas e representantes dos movimentos sociais se reuniram em São Paulo, durante os dias 19 e 20 de julho para participar da 11ª Plenária Nacional da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). Dentro dos debates realizados estiveram o atual cenárioo político e a necessidade de ampliação da atuação da entidade.

Com a presença de lideranças sindicais, estudantis, feministas, comunitárias e dos sem terra de dez estados do país, o evento realizado no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo alertou para a necessidade do governo e do parlamento ouvirem a voz das ruas, que “clamam por mais Estado, por mais investimentos na saúde, na educação e no transporte público, na reforma agrária e urbana”.
Povo nas ruas
O encontro que trouxe uma riquíssima análise do novo cenário político, contou com a participação do jornalista Altamiro Borges, Coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Ademir Figueiredo, coordenador de Estudos e Desenvolvimento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Nacional, e João Paulo Rodrigues, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Dentro dos debates realizados, os analisaram os protestos que ocorrem no país desde junho, quando a população levou para as ruas demandas represadas.
“Houve um fator detonador, que foi a mobilidade urbana; um fator que espraiou o movimento, que foi a solidariedade depois da violência contra os manifestantes; e houve o papel manipulador da mídia. Mas, na minha avaliação, esses protestos mostraram um certo esgotamento do modelo lulista. Não pelo que ele tem de positivo, mas pelo que ele tem de limitação.
João Paulo Rodrigues, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), concorda com Miro: “Na nossa avaliação, humilde do campo, é que o ciclo chegou ao final, do ponto de vista da estratégia política para avançar ao socialismo”. Para ele, a questão central é de que “os governos passam. O quê vamos acumular do ponto de vista histórico para o conjunto da classe trabalhadora? Se não tiver claro que temos um projeto de país, teremos problemas graves.”
Ademir Figueiredo, coordenador de Estudos e Desenvolvimento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese) Nacional, que também integrou a mesa, lembrou do que disse o ex-presidente Lula, durante a Conferência Nacional Uma Nova Política Externa, na Universidade Federal do ABC.
“O ex-presidente Lula falou pela primeira vez do movimento publicamente. E em outras palavras ele disse para não deixar de falar bem da política. Tendo em vista que parte desse movimento tentou dizer que era apolítico, no sentido de ser algo genuíno e puro, por mais legítimo que seja o conjunto de bandeiras, qualquer bandeira é política. Você pode não gostar do político, mas a política não pode ser negada”, explicou.
Ampliação e revitalização
Os participantes fizeram ainda um resgate histórico de luta e balanço da CMS e apontado as resoluções para o próximo período. De acordo com os dirigentes o objetivo foi avaliar os 10 anos da CMS, criada em outra conjuntura e debater as nossas ações, voltados para esse cenário político que se desenha.
Para o secretário de Políticas Sociais da CTB, Carlos Rogério Nunes, “o momento é de avançar nas mudanças com valorização do trabalho, com a pauta das centrais sindicais e movimentos sociais que foram às ruas unitariamente no dia 11 de julho pelo desenvolvimento”. “Bandeiras, como a redução da jornada de trabalho, o combate à precarização e os 10% do PIB para a educação dialogam com o conjunto da sociedade, mas que são ignoradas pela chamada grande mídia, alinhada com o retrocesso”, destacou o dirigente da CTB.
Membro da CMS, Rogério Nunes destacou a avaliação é que falta de amplitude. “Fundada há mais de 10 nos, a CMS teve grandes momentos defesa do projeto popular, mas que nos últimos tempos não conseguiu avançar. Nesse contexto, nossa avaliação é que precisamos ampliar nossa participação, com a aglutinação de partidos e outras entidades dos movimentos sociais organizados”, afirmou o sindicalista.
No segundo do encontro, além de aprovar o documento oriundo do encontro, a plenária final encaminhou e debateu a atualização da pauta das centrais com destaque para o Dia Nacional de Luta, a novo marco regulatório da Comunicação, a Campanha Contra os leilões da Petrobras, entre outros temas.
Foi aprovado também total apoio à mobilização do dia 06 de agosto, quando as centrais proverão protestos por todo o país.
Portal CTB (foto: Leonardo Severo)

