Menu
Campanha Salarial 2026

Sindicato denuncia demissão no Itaú em Itabuna

Coincidência ou não, o banco Itaú em menos de um ano demitiu duas funcionárias após retorno da licença maternidade aqui em Itabuna. A esfarrapada desculpa de que as bancárias não estavam produzindo o suficiente dentro das metas estabelecidas pela instituição, não condizem com a lucratividade semestral divulgada de mais de 10 bilhões de reais.
 


“Uma medida desumana que demonstra total incoerência do Itaú, falta de compromisso com o social e com a geração de emprego e renda. Além disso, o banco joga no olho da rua pais e mães de família num momento em que mais precisam do emprego”, denuncia Cristiane Brandão, funcionária e dirigente sindical.

Para se ter uma ideia do absurdo e da incoerência do Itaú, mesmo com esse lucro estratosférico, o banco eliminou 2.995 postos de trabalho entre junho de 2015 e o mesmo mês deste ano. Os dados do maior banco em operação no Brasil ajudam a agravar a crise na economia nacional e mostram o quanto a política da empresa é perversa. Apenas o lucro tem importância.

Reunião com a gerência e manifestação na agência

O Sindicato realizou na manhã de hoje (04/8) reunião com o gerente da agência e denunciou a reincidente medida do banco em demitir a trabalhadora que havia retornado há pouco tempo da licença maternidade. A entidade cobrou o fim das demissões e alertou para o assédio moral que vem ocorrendo nas agências do Itaú em todo o país.

Nesta semana, o Sindicato dos Bancários da Bahia juntamente com a Federação dos Bancários paralisou agência do banco em Lauro de Freitas por conta de duas demissões ocorridas e da postura truculenta dos gestores na cobrança de resultados no cumprimento das metas, principalmente no setor comercial, o que tem deixado o meio ambiente de trabalho hostil.

“Nas agências paira um clima de medo e insegurança e isso é inaceitável”, pontua Ricardo Carvalho, funcionário e diretor da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe.

Sem justificativa

Durante a manifestação realizada pelo Sindicato dentro da agência do Itáu em Itabuna, o presidente em exercício da entidade, Paulo Eduardo, denunciou a demissão sem justificativa plausível e a sobrecarga de trabalho imposta aos outros funcionários, já que não há nova contratação, o que compromete um melhor atendimento para a clientela.

“A bancária demitida contribuiu para que o Itaú alcançasse essa cifra bilionária de lucratividade, portanto, a desculpa de que a produção não estava a contento é absurda, pois os números contradizem a argumentação do banco. Os bilhões de lucros foram produzidos pelo coletivo dos empregados da instituição”, afirmou Paulo Eduardo.

Demissão pós gestação é política do Itaú

De acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária a gestante tem direito à estabilidade no emprego durante a gravidez até cinco meses após o parto. A CCT dos bancários garante a estabilidade até 60 dias após o término da licença maternidade.

Uma rápida pesquisa realizada pelo Sindicato junto a outras entidades sindicais verificou que essa prática do Itaú é uma constante Brasil afora. Já ocorreram casos semelhantes em Campo Grande (MS), Itaipava (RJ) e em outras localidades. Grávidas também já foram demitidas pelo Itaú.

“Diante disso, acreditamos que as demissões ocorridas em Itabuna não foi coincidência, pois as bancárias se enquadram no pós período de estabilidade provisória prevista em nossa Convenção Coletiva”, argumenta Ricardo Carvalho.

O Sindicato dos Bancários de Itabuna vai propor à Comissão de Organização dos Empregados do Itaú (COE/Itaú) que sistematize um dossiê com os casos já ocorridos no Brasil e encaminhe denúncia junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Organização Internacional do Trabalho (OIT) com sede em Genebra, na Suiça.

Na prática o Ombudsman do Itaú é delator

Não é de hoje que os sindicatos denunciam a função de Ombudsman no Itaú. O que teoricamente seria um elo entre o funcionário e a organização financeira, na verdade serve para punir quem se mostra insatisfeito com algum problema na empresa.
Tanto a identidade dos bancários como as reclamações que fazem ao ombudsman, que deveriam ser mantidas em sigilo, são repassadas para o banco, que por sua vez, passa a perseguir o empregado como represália.
 
A função, implantada no Itaú desde 2007, deveria solucionar conflitos interpessoais, sendo um canal seguro. Mas o que se pode observar é que o real interesse da empresa é aterrorizar bancários que reclamam dos abusos. O Sindicato alerta que qualquer problema deve ser encaminhado ao à entidade sindical, verdadeiro canal de defesa dos trabalhadores.
 
Texto Ricardo Carvalho com informações do Seeb Bahia/Contraf/Seeb MS

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar