Apesar dos prejuízos, ECT não cede e greve entra no 16º dia
"Estou com 70% dos meus pedidos parados", diz Ricardo Beraldo, proprietário da Talento Moda, fábrica de roupas femininas em São Paulo. O empresário conta que, nas últimas duas semanas, a maior parte de seus clientes, de todo o país, não recebeu os catálogos que divulgam a última coleção da fábrica.
"Normalmente, nessa época, meus compradores já teriam recebido a mala-direta e já estaríamos vendendo." Além disso, segundo Beraldo, contas que venceram na última quinzena não foram entregues no endereço comercial. "O jeito tem sido correr atrás dos fornecedores."
Outro empresário que tem sofrido com a paralisação é Fábio Seixas. Dono da loja virtual Camiseteria, que vende camisetas pela internet, ele afirma que os produtos estão demorando dois a três dias a mais para ser entregues. O prazo normal é de três dias úteis. "Para os casos mais urgentes, estamos usando os serviços de uma transportadora", diz Seixas. A empresa recebe uma média de 400 encomendas por semana - todas são enviadas por Sedex.
Já as grandes empresas de comércio eletrônico não estão sendo tão afetadas. Isso porque usam serviços de transportadoras privadas. É o caso da Submarino e das Lojas Americanas. Procuradas, elas informaram que não tiveram alteração nas entregas.
Lojistas e bancos de São Paulo também enfrentam dificuldade para receber pagamentos, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Marcel Domingos Solimeo, economista da entidade, diz que a demora na entrega das correspondências tem prejudicado a atualização do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), cadastro de consumidores em débito com instituições financeiras ou no crediário do varejo.
Isso acontece porque, para incluir os inadimplentes no cadastro, é preciso notificá-los por carta. A ACSP estima que sejam enviadas, em média, cerca de 6 milhões de correspondências por mês com esse objetivo. Segundo ele, lojas e bancos estão tendo prejuízo, já que, sem aviso, os consumidores demoram a pagar o débito.
Negociação
O presidente da ECT, Carlos Henrique Custódio, se reuniu nesta quarta-feira com representantes dos funcionários em greve para discutir as reivindicações. As propostas, segundo os funcionários, teria sido levada por Custódio ao ministro das Comunicações, Hélio costa, em reunião no início da noite. A reunião deve servir para discutir os pontos divergentes e a proposta dos trabalhadores para encerrar a greve na empresa.
Segundo Geraldo Rodrigues, diretor da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), Custódio negocia com os trabalhadores desde às 13h e interrompeu a reunião, por volta das 19h30, para apresentar as reivindicações com o ministro.
A expectativa dos sindicalistas é fechar um acordo até as 10h desta quinta-feira (17), afim de apresentar ao presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Rider Nogueira de Brito, que aguarda um entendimento entre as partes para evitar o julgamento da paralisação. Caso contrário, o ministro Maurício Godinho Delgado vai julgar a ação de abusividade da greve.
O secretário-geral da Fentect, Manoel Cantoara, disse que a estatal deveria ceder mais. "Acreditamos que a direção da empresa poderia discutir todos os pontos do plano de carreira." Já a ECT, por sua assessoria, disse que está analisando a proposta, mas como ela é bem semelhante à anterior, aceita pela estatal, tudo indica que isso se repetirá.
A nova proposta que tenta pôr fim à greve prevê o pagamento definitivo de uma gratificação de 30% aos carteiros, a ser calculada sobre o salário-base, e pagamento proporcional às horas trabalhadas em serviços externos de coleta e entrega.
A categoria reclama que os Correios não fizeram a incorporação de 30% de adicional de periculosidade nos salários, negociação do plano de carreira e participação nos lucros, que estariam previsto no acordo firmado em novembro do ano passado e ratificado em abril deste ano.
A empresa afirma que o compromisso foi cumprido, com a adoção do plano de carreira e o pagamento de um adicional de R$ 260 já na folha deste mês.
Os grevistas tentam também evitar que a empresa desconte os dias parados, propondo a formação de uma força tarefa para entregar as correspondências atrasadas.
Veja aqui o quadro parcial da greve nesta quarta, após assembléias dos grevistas.
Da redação, com agências

