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Ato das centrais sindicais reúne 400 trabalhadores em frente ao BC em SP

Ato em São Paulo - Menos Juros, Mais Desenvolvimento - Foto Láldert Castello BrancoO ato das centrais sindicais realizado em frente à sede do Banco Central (BC) contra a política de juros alto em São Paulo contou com a presença de cerca de 400 pessoas. Por volta das 11h30min, os trabalhadores começaram a discursar denunciando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic. 

Por Osvaldo Bertolino

O afastamento do presidente do BC, Henrique Meirelles, e a mudança na política econômica - que sob o argumento de que é necessário manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) vem elevado sucessivamente os juros para satisfazer os banqueiros às custas da redução do crescimento da economia e da geração de empregos - foram os principais pontos destacados pelos oradores. "O Brasil continua sendo o paraíso dos banqueiros", disse João Batista Lemos, secretário adjunto de relações internacionais da CTB já no inicio do ato.

Para ele, a política de juros altos só interessa aos mais ricos, que continuam se enriquecimento às custas do sacrifício do povo. "Além de concentrar renda, os juros altos contraiam os interesses da nação, principalmente da classe trabalhadora", destacou. O presidente da CTB, Wagner Gomes, também enfatizou a importância de uma mudança de rumo na política monetária brasileira e lembrou que nesta quarta-feira (23) o Copom deve anunciar mais uma elevação da taxa básica de juros, a Selic.

Representante dos banqueiros

Segundo ele, as manifestações ocorridas na terça e na quarta em diferentes pontos do país foram uma demonstração de que os trabalhadores estão atentos para as ameaças que os juros altos representam para o emprego e os salários. Dirigindo-se à população, Wagner Gomes explicou os motivos da manifestação, destacando a importância do combate à política de juros altos para a geração de empregos e o desenvolvimento do país.

Após a explicação, ele enfatizou a palavra de ordem "Fora, Meirelles!" para registrar que o presidente do BC era um representante dos banqueiros no governo Lula. "Esta campanha vai continuar e se for preciso faremos uma marcha a Brasília para exigir a saída de Meirelles da presidência do BC e a redução dos juros", afirmou. O presidente da CTB também elogiou a unidade das centrais sindicais neste importante movimento.

Quintal do imperialismo

Canindé Pegado, secretário geral da UGT, discursou em seguida e destacou, já no início do discurso, a importância da unidade das centrais. "Não vamos dar sossego ao BC e ao Meirelles enquanto esta política de juros altos não mudar", disse. Com ênfase, ele disse que os trabalhadores não vão aceitar que o BC faça do Brasil um quintal do imperialismo.

Dirigindo-se diretamente a Meirelles, Pegado disse que as centrais sindicais vão continuar unidas no combate aos juros altos e na defesa de mais e melhores empregos. "O combate à inflação não pode ocorrer com os trabalhadores pagando a conta e se o BC insistir nesta política vamos dar o troco", enfatizou. "A unidade de ação em prol da luta do povo e contra os lucros dos banqueiros merece parabéns", finalizou.

Campanhas salariais

João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, falou em seguida e também destacou a importância da unidade das centrais. Ele iniciou o discurso saudando Wagner Gomes e os demais representantes das centrais e disse que a cidade de São Paulo foi a escolhida para o ato principal da campanha contra a política de juros altos do BC porque estava em jogo também a campanha salarial de muitas categorias com data base no segundo semestre.

Segundo Juruna, os juros elevados destroem empregos e afetam os salários. "Nas campanhas salariais, o argumento de que aumentos causam inflação vai aparecer", disse ele. Para o secretário geral da Força Sindical, este movimento unitário das centrais sindicais é importante também para que a população saiba que o aumento dos juros nada tem a ver com reajustes salariais. "É uma campanha para combater esta política do Meirelles de tentar reduzir a inflação com juros altos", afirmou.

Participação da CUT

Juruna disse também que a união das centrais tende a se fortalecer - embora a CUT não tenha participado do ato. "Não sabemos por quais motivos a CUT não engrossou a manifestação, mas tenho certeza de que na próxima ela estará presente", afirmou. Juruna terminou sua intervenção puxando esta palavra de ordem: "Eu quero agora, eu quero já, ver os juros abaixar!"

O representante da NCST, Luís Gonçalves - o Luisinho -, disse que este ato foi fundamental para impulsionar um movimento unificado contra a política de juros altos. Ele enfatizou que a garantia de empregos e distribuição de renda só é possível com a redução dos juros. Segundo ele, a NCST está com a campanha do "Pleno Emprego" nas ruas e o combate aos juros alto é parte fundamental desta luta.

Importância do ato

O representante da CGTB, Aparecido Dias Morais, também enfatizou o combate à polícia de juros altos e a campanha pela saída de Mirelles da presidência do BC. Ele também manifestou solidariedade aos trabalhadores do BC, que lutam pela equiparação salarial com o dos auditores da Receita Federal.

Segundo o presidente da CTB-SP, Helifax Pinto de Souza - que também é presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) -, o ato foi importante para mostrar que a política de juros alto do BC é altamente prejudicial os interesses nacionais e aos trabalhadres. A manifestação terminou com os trabalhadores ocupando uma das vias da Avenida Paulista, em frente à sede do BC, e bradando: "Fora, Meirelles!"

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