Bancos empurram pobres para correspondentes bancários
Ao mesmo tempo em que empurram os mais pobres para fora das agências, os bancos têm investido pesado para melhorar o atendimento aos clientes mais ricos. Este mês, o HSBC anunciou que pretende concentrar sua expansão no Brasil no segmento de varejo de alta renda.
O banco inglês vai investir R$ 70 milhões na abertura de 30 das chamadas agências Premier, elevando o total desses pontos para cem até o fim do ano. As agências Premier são projetadas para atender clientes que ganham pelo menos R$ 5 mil por mês e que tenham R$ 50 mil disponíveis para investimentos.
A situação nos bancos públicos não é diferente. O Banco do Brasil também anunciou que quer crescer no segmento de alta renda. Hoje são 400 mil clientes com renda acima de R$ 6 mil mensais ou com aplicação superior a R$ 100 mil. O private responde por 11 mil clientes desse total, com mais de R$ 1 milhão para investir.
O banco pretende dobrar esse número e chegar a 800 mil clientes em três anos, diz o novo superintendente da área, Jânio Macedo. No ano passado, a área cresceu 30% em número de clientes.
De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os clientes de alta renda já respondem por até 30% dos lucros obtidos pelas agências bancárias.
Bancários prejudicados
O preconceito dos bancos com os mais pobres prejudica diretamente o emprego dos bancários. Na década passada, o crescimento do número de correspondentes foi um dos vilões da redução de postos de trabalho entre os bancários. Em 1990, o Brasil tinha mais de 750 mil trabalhadores na categoria. Hoje são cerca de 465 mil.
Fonte: Fábio Jammal Makhoul - Seeb São Paulo

