BC corta Selic pela 5ª vez; taxa vai para 9,75%
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em seu
segundo encontro em 2012, decidiu nesta quarta-feira reduzir a taxa
básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, para 9,75% ao ano.
Sucessivos cortes na taxa vêm acontecendo desde agosto de 2011, quando a
Selic estava em 12,5%. Esta foi a quinta redução seguida. A última vez
que o Copom havia reduzido a Selic a um dígito foi em abril de 2010,
quando ela foi para 9,50%.
A redução foi anunciada um dia após o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar que o
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,7% em 2011, abaixo da
elevação registrada em 2010, que foi de 7,5%. A soma de todas as
riquezas produzidas no País atingiu R$ 4,143 trilhões no ano passado.
"Dando
seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom
decidiu reduzir a taxa Selic para 9,75% a.a., sem viés, por cinco votos a
favor e dois votos pela redução da taxa Selic em 0,5 p.p.", afirmou o
Copom em um comunicado mais enxuto do que o das últimas reuniões.
Um dígito
O
BC deixou claro, na ata da sua última reunião do Copom, em janeiro, que
queria buscar uma Selic de um dígito. Naquele momento o Copom informou
que "atribui elevada probabilidade à concretização de um cenário que
contempla a taxa Selic se deslocando para patamares de um dígito". Na
decisão de agora, a autoridade monetária retirou do comunicado a
expressão "ajuste moderado" na Selic, adotada nos últimos meses.
O
passo mais acelerado do BC agora busca estimular a atividade. Com o
fraco desempenho econômico no ano passado, o governo uniu forças para
garantir que haverá mais estímulos à economia e o discurso também passou
por mais reduções de juros. O último alerta veio da indústria, um setor
que tem mostrado fraqueza neste início de ano.
Nesta
quarta-feira o IBGE mostrou que a indústria continua sofrendo, com a
produção caindo 2,1% em janeiro ante dezembro, a maior redução mensal
desde dezembro de 2008 - no auge da crise financeira global.
Em
audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado no fim de
fevereiro, o presidente do BC, Alexandre Tombini, havia avaliado que o
Brasi crescia abaixo do seu potencial e que esse cenário permitia o
afrouxamento da política monetária.
"Nos últimos três
trimestres, incluindo este primeiro trimestre de 2012, o Brasil cresce
abaixo do potencial...Não é por outra razão que o Banco Central vem
ajustando sua taxa de juros nesse período, em função do crescimento da
economia abaixo do PIB potencial", afirmou. O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, tem deixado claro que o governo quer estimular a economia e
garantir uma expansão entre 4% e 4,5% ao ano.
E o comportamento
da inflação também alimenta as expectativas de mais quedas nos juros,
como os preços ao consumidor em São Paulo, que caíram mais do que o
esperado no mês passado, em queda de 0,07%, por conta dos alimentos, de
acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
O
"tsunami monetário" enfrentado pelo Brasil é outro fator, segundo
especialistas, que podem incentivar mais quedas nos juros. Retirada
parte do atratividade financeira das aplicações brasileiras, poderia ser
menor a vinda de investidores estrangeiros.
Impactos
A
redução da taxa Selic ajuda a estimular a atividade econômica, à medida
que barateia o crédito e estimula o consumo. Os juros mais baixos também
melhoram as contas do governo ao reduzirem os custos da dívida pública.
A taxa menor afeta ainda o câmbio e estimula as exportações ao conter a
entrada de dólares e diminuir a queda do valor da moeda americana.
Variação da taxa
No
começo de 2011, o colegiado de diretores do BC tinha retomado o
processo de aperto monetário como forma de combater o aumento da
inflação. O Copom elevou a Selic por cinco reuniões seguidas até atingir
o pico de 12,5% ao ano, em 20 de julho. No período, o aumento acumulado
foi de 1,75 ponto percentual.
A partir do segundo semestre do
ano passado, no entanto, o Comitê entendeu que era hora de afrouxar a
política monetária, uma vez que a deterioração da economia externa -
notadamente na Europa e nos Estados Unidos - contribuía para a redução
de pressões inflacionárias no mercado interno. Mesmo contra críticos do
mercado financeiro, e até de dentro do próprio BC, o Copom aprovou, por 5
a 2, a primeira redução no fim de agosto.

