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Encontro Vozes que transformam

BC fecha projeto de lei sobre resolução bancária

Depois de quase cinco anos, o Banco Central (BC) chegou a um consenso com outras áreas do governo sobre o projeto de lei que altera o marco legal do processo de resolução do sistema financeiro, que inclui ferramentas como liquidação e intervenção utilizadas em casos de bancos com dificuldades. O Palácio do Planalto deve encaminhar em breve o texto ao Congresso.

A principal mudança é a previsão de que o Tesouro poderá ser chamado a colocar dinheiro em instituições financeiras - algo vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), mas que vai na contramão do resto do mundo. Esse seria, a última opção entre as diveras novas opções trazidas pelas lei, como o "bail-in", que é o uso dos recursos dos acionistas e do capital do banco para sua recapitalização, a divisão entre "good bank" e "bad bank", na qual se separaa parte saudável da instituição da problemática, e a suspensão de exigibilidade de crédito.

O uso de cada ferramenta ficará a critério do BC, que levará em conta o porte e a importância sistêmica da instituição em dificuldade.

O projeto de lei prevê ainda a criação de um conselho de credores para avaliar as propostas do liquidante, a fim de reduzir questionamentos jurídicos posteriores sobre a venda de ativos. Está prevista também a figura de "não sucessão" de ônus, segundo a qual o comprador da chamada "parte boa" de uma instituição não herda os passivos.

O BC afirma que seu objetivo é garantir a continuidade dos serviços e da estrutura do sistema financeiro a fim de garantir o bom funcionamento da economia real. As ferramenta buscam prover saídas rápida de problema no sistema financeiro para evitar crises sistêmicas, como as vistas após a crie de 2008.

As revisões do marco de resolução e do sistema coercitivo e punitivo, esse último tratado pela Medida Provisória 784, que cria a figura do acordo de leniência e ainda tramita no Congresso, fazem parte de compromissos assumidos pelo Brasil perante o Fundo Monetário Internacional, cujos representantes virão em breve ao país para fazer uma revisão do sistema financeiro e seus mecanismos.

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